Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, manifestou a sua “certeza absoluta” de que Miguel Relvas nunca teve intenção de condicionar o trabalho dos jornalistas. O deputado, mesmo assim, defende que o Parlamento deve aguardar pela investigação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) sobre o caso que envolve o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares e o jornal Público. Já o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que o Miguel Relvas tenha “atacado a imprensa” na resposta ao jornal Público e defendeu que “o Governo tem privilegiado muita transparência”.
Por mais que tentem esconder o Relvas por detrás da ERC, por mais “certezas absolutas” que preguem já ninguém tem dúvidas, se é que alguém alguma vez as teve, que este ministro recebia informações das secretas portuguesas e que as tentou utilizar para calar as investigações da jornalista do Público. Fugir do Parlamento para evitar ter de se defender e só o fazer para a ERC por escrito, não vá entrar em mais contradições ao falar em directo é a consequência de quem tem a consciência pesada. Certamente que o Passos Coelho nem deve querer imaginar o que será perder o seu homem de mão no governo, o homem que faz os todos os contactos, que tece as teias de todos os negócios e apaga todos os fogos pois sem ele também o seu reinado pode ter um fim anunciado. Um fim a que o Relvas não deverá escapar e que se tivesse um pingo de vergonha na cara já teria dado o passo, pedindo a demissão. Quem se deve estar a rir de tudo isto é o Vitor Gaspar, que rimando com Salazar, que também começou como Ministro das Finanças para se tornar posteriormente em Ditador por várias décadas, espera a sua oportunidade para se sentar na cadeira do Coelho.
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Relvas ou erva daninha?
Têm tudo e afinal não sabem nada
O relatório do Serviço de Informações de Segurança (SIS) a antecipar os riscos e ameaças dos “grupos antiglobalização” para a greve geral de dia 22 previa violência, caos, ruas bloqueadas e explosões. Para os espiões, as forças de segurança deveriam preparar-se para ruas bloqueadas em Lisboa e para o rebentamento de cocktails Molotov. O documento, classificado como “confidencial”, foi distribuído a PJ, GNR, PSP, SE e ministros da Administração Interna e da Justiça e deveria servir de base de planeamento para a PSP – que há um ano se prepara para uma onda de contestação social que previu ser a maior dos últimos 30 anos.Poderá isto justificar a desproporcionada carga policial que aconteceu no Chiado (vídeo)? Será que os policias estavam assim tão alarmados e assustados que confundiram ovos com cocktails Molotov?
Espiões, câmaras, escutas, vigilância, infiltrados por tudo o que é movimento social e no fim o grande temporal anunciado não passou de uma bufa. É verdade que já todos sabem que telefones, mails, e redes sociais são vigiados, bem como conhecem os infiltrados que por aí andam, e que a unica comunicação segura é aquela feita presencialmente, mas os movimentos sociais que existem já provaram, apesar da prática de alguma desobediência civil light para conseguirem alguma visibilidade nos órgãos de informação, ser pacíficos. Fazem, também eles, parte dos movimentos internacionais que acreditam que é pela ocupação do espaço público, pela presença e pelo protesto pacifico que poderão exigir uma democracia mais participativa e uma mudança neste sistema injusto e canibalizado pelas grandes corporações. Pacifico porque acreditam que só assim todos os que se sintam indignados com o sistema podem sentir-se seguros para ocuparem as ruas e praças conquistando a mudança, não pela força da violência, mas pela força das palavras, das ideias e dos direitos.
O SIS pode fazer os seus relatórios alarmistas, a policia pode tentar provocar o confronto por se sentirem mais à vontade a bater que a pensar e o Ministro pode tentar esconder as suas responsabilidades, que o que realmente ressalta de tudo isto é a sua incapacidade de compreender o que se passa e de encontrar soluções não violentas para calar a indignação. O que ressalta disto é que o poder começa a temer a rua.
O Fado consumado
O Presidente da República comentou os incidentes ocorridos durante a greve geral do passado dia 22, em Lisboa, lamentando os casos e defendendo esclarecimentos. «Lamento profundamente que dois fotojornalistas tenham sido atingidos durante os distúrbios a que as forças de segurança tiveram que fazer face», declarou Cavaco Silva.Mais um que só lamenta a agressão policial aos fotojornalistas esquecendo todos os outros que pacificamente se manifestavam, passeavam ou simplesmente bebiam qualquer coisa nas esplanadas do local. Mais um que antes de saber o que se passou, ou sabendo porque presenciado pelos média, que o digam os tais jornalistas agredidos, prefere aguardar mais um inquérito que como tantos outros acabará em nada mas apontando já a culpa a distúrbios que obrigaram as forças de segurança a agir. Já acusou, julgou e condenou.
Que fica então para ser inquirido no tal inquérito? Os fotojornalistas.
Corte e costura na liberdade
Todos nos lembramos das acusações do PSD ao governo dos Socretinos sobre o controlo que estes exerciam sobre a informação. Recentemente alguns jornalistas mais críticos do actual governo e sobretudo os que se atreveram a criticar as suas relações com Angola, o Presidente José Eduardo dos Santos e a sua “real” família, viram os seus contratos não serem renovados e as suas colunas e programas terminarem. Também alguns blogs, pelos mesmos motivos foram atacados e destruídos. O blog Braganza Mothers é um bom exemplo disso tendo ele e todas as contas ligadas ao seu mentor o brilhante “Arrebenta” sido vitimas dessa fúria em silenciar as criticas. Felizmente a Internete ainda é um espaço amplo e solidário pelo que por cada blog ou site que seja atacado e destruído há dois que surgem para continuar a sua luta (reabriu aqui).
Este sistema capitalista está a rebentar pelas costuras e já não olha a meios para tentar retardar aquilo que é inevitável; a sua queda. (Infelizmente a alternativa é uma terrível guerra a nível global que causará muitos milhões de mortos). Silenciar as vozes incomodas começa a não ser só um capricho de um ou outro líder, mas uma necessidade do poder instituído. Num mundo em que a informação corre livre a nível global a liberdade e a democracia são um vírus que os pode destruir e eles sabem disso. A rendição dos países ocidentais ao poderio das novas economias, anti-democráticas, como a China ou Angola acaba também para contribuir para isso, pois se é verdade que de lá chega muito dinheiro também o poder absoluto dessas ditaduras o acompanha.
É por isso que as vozes incomodas começam a ser bloqueadas e se vê um interesse tão grande em os Americanos fazerem aprovar a sua lei de controla da Internet, o SOPA (Stop Online Piracy Act) e por cá Parlamento Europeu já se antecipou e aprovou o ,АСТА (Anti-Counterfeiting Trade Agreement ). Tudo em nome da pirataria mas a dar ao poder a capacidade de fechar sites a seu belo prazer.
Já vivi tempo de ditadura neste país e não gostei mesmo nada e é por isso que estarei ao lado de todas as lutas pela liberdade de expressão e para derrotar os que a ameaçam. Muitas vezes me perguntam se não receio fazer este blog e não me calar, tanto aqui como na rua. Infelizmente não me posso dar a esse luxo e, como já aqui disse uma vez, só tenho medo de um dia vir a ter e ceder ao medo. Esta é uma luta de todos e a que ninguém se pode pôr de parte. É o futuro, o nosso e o dos nossos filhos que está em jogo.
Não questionável a bem da nação
“A bem da Nação”, a informação emitida pela RTP Internacional deve ser “filtrada” e “trabalhada” pelo Governo, defendeu João Duque. Um tratamento que, acrescentou, “não deve ser questionado”. ‘Se [o Governo] quiser manipular mais ou manipular menos, opinar, modificar, é da sua inteira responsabilidade, porque estamos convencidos [de] que o faz a bem da Nação, porque foi sufragado e foi eleito para isso.’Controlo e filtragem sobre a informação não é nada de novo e há muito que é feito. Agora, esse controlo não deve ser questionado, ao som do velho chavão salazarento do “a bem da nação”. A justificação é, a promoção de Portugal através da imagem ou do som deve ser enquadrada numa visão de política externa e portanto quase que sob a orientação ou em contrato de programa com o Ministério dos Negócios Estrangeiros”. Como imagino que também devia gostar de colocar os blogs e o Facebook sob orientação do Ministro, o melhor é não questionar, a bem da nação.
Este é o ponto 7 do novo Estatuto Editorial do Jornal Expresso. Tem lá mais coisas engraçadas, mas este ponto sete é elucidativo e faz-nos pensar até que ponto chegou a comunicação social, quando um jornal de referencia assume não se reger por critérios jornalísticos, condicionando-o ao político.
Felizmente que há muito deixei de comprar este jornal, mas sabemos que um canal de televisão generalista, a SIC, e um canal somente dedicado a noticias, a SIC Noticias, têm o mesmo patrão, e esse patrão é o executivo dos Bilderberg em Portugal. E, quando olhamos à volta não vemos melhor porque sabemos que cada jornal e cada televisão têm uma agenda política própria.
Seja por omissão ou por manipulação aquilo que nos informam não são factos, mas a visão em que querem que acreditemos. A comunicação social engana e há muito que perdeu a sua função de informar para ganhar a de criar verdades e formatar opiniões. O pior é que funciona e o conseguem fazer com relativa facilidade, como a realidade demonstra.
O emplastro oficial
Sei que esta personagem não tem o mínimo de valor e que é uma perda de tempo estar aqui a falar dela, mas não posso deixar de notar que é o comentador da moda, aparecendo por todo o lado, seja na televisão rádio ou jornais, sempre com o seu “Coelhinho Passos” ao colo. Um liberal demagógico que vale o que vale, nada.
O carteiro
A carta, entregue no edifício do Banco Comercial Português (BCP), que alertava Armando Vara de que o telefone do primeiro-ministro se encontrava sob escuta está assinada e tem um número de telemóvel.
“Avise ou mande avisar o seu amigo José Sócrates que o seu telefone encontra-se em escuta (não por e-mail, nem por telemóvel ou telefone. Só ontem soube de fonte segura. Se for preciso contar-lhe-ei tudo em pormenor (sem ser por e-mail ou telefone)“, escreveu PN a Armando Vara acrescentando que “estava muito nervoso” e pedindo que “depois de a ler” destruísse a carta.
“Dei-lhe tanta importância que ela estava na gaveta da minha secretária“, afirmou Armando Vara na altura, acrescentando “achei aquilo absurdo“.
Na Comissão Parlamentar de Ética, Mário Crespo, mostrou a tshirt com que dorme e onde se podia ler, “Eu ainda não fui processado pelo Sócrates”.
Se tentar controlar a comunicação social através de “boys” colocados em empresas por um Primeiro-ministro é grave e lhe retira toda legitimidade de governar num estado democrático, também a isenção e objectividade de quem leva a paranóia e a obsessão para a cama, estampados numa tshirt, fica comprometida. Especialmente se a andar a mostrar na Comissão Parlamentar de Ética.
O anjinho
Todos estão fartos dele, todos o querem ver cair, mas ninguém parece interessado que isso aconteça agora. Ninguém pensa colocar uma “Moção de censura que inevitavelmente levaria à queda do governo e até teme que seja o governo a suicidar-se com a apresentação de uma de confiança. Andam todos muito preocupados com a governabilidade, com o vazio que existe em redor do Engenheiro. Triste Portugal.




















