Arquivo da categoria 'Liberdade'

28
Mai
12

Um ano de desgraça

Há um ano que este governo tomou posse com o Passos Coelho como Primeiro Ministro e a desculpa do acordo da Troika para poder impor e praticar todos os roubos aos salários e direitos. Depois do Passos Coelho nos informar que o seu objectivo era empobrecer os portugueses rapidamente se percebeu que quem mandava não era o incapaz, mentiroso e impreparado Coelho mas o falinhas mansas Vitor Gaspar. Tecnocrata, ultrapassou a Troika pela direita sem respeitar nada nem ninguém tentando passar uma imagem de honestidade e competência. Honestidade que se desvaneceu logo que se percebeu que andava a cavar falsos buracos no orçamento para impor mais medidas de austeridade  e competência que se mostrou ser falsa quando se começou a ver que as suas previsões económicas estão sempre ultrapassadas mesmo antes das medidas que as procuram justificar entrarem em vigor. Isto sem falar da incompreensível politica de aceitar destruir toda a economia em nome do défice condenando tanto o futuro do país como o próprio cumprimento do défice com mais austeridade sobre a recessão. Os quinze por cento de desemprego, as falências, o crédito mal parado, o aumento da despesa pública e a redução das receitas prova-o.

28
Mai
12

Espiões coscuvilheiros

«Num email enviado de Silva Carvalho para Paulo Félix (à data funcionário da Ongoing e ex-PJ), a 4 de Setembro de 2011, Francisco Pinto Balsemão, presidente da Impresa, aparece com um nome de código: Balsinhas. Nele, Silva Carvalho pede que vejam “em fontes abertas” tudo o que há “sobre o Balsinhas”, em particular sobre os empréstimos que tinha, em que bancos, quando venciam. Silva Carvalho argumenta que essa informação interessava à estrutura financeira e económica da Ongoing. Tempos depois, recebe um relatório detalhado de 31 páginas sobre Balsemão, que incluía uma cronologia com dados importantes da sua biografia, uma colectânea de recortes de jornais, listas de amigos, inimigos e aliados e até considerações sobre a sua performance sexual.

23
Mai
12

Relvas ou erva daninha?

Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, manifestou a sua “certeza absoluta” de que Miguel Relvas nunca teve intenção de condicionar o trabalho dos jornalistas. O deputado, mesmo assim, defende que o Parlamento deve aguardar pela investigação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) sobre o caso que envolve o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares e o jornal Público. Já o  primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que o Miguel Relvas tenha “atacado a imprensa” na resposta ao jornal Público e defendeu que “o Governo tem privilegiado muita transparência”.

Por mais que tentem esconder o Relvas por detrás da ERC, por mais “certezas absolutas” que preguem já ninguém tem dúvidas, se é que alguém alguma vez as teve, que este ministro recebia informações das secretas portuguesas e que as tentou utilizar para calar as investigações da jornalista do Público. Fugir do Parlamento para evitar ter de se defender e só o fazer para a ERC por escrito, não vá entrar em mais contradições ao falar em directo é a consequência de quem tem a consciência pesada. Certamente que o Passos Coelho nem deve querer imaginar o que será perder o seu homem de mão no governo, o homem que faz os todos os contactos, que tece as teias de todos os negócios e apaga todos os fogos pois sem ele também o seu reinado pode ter um fim anunciado. Um fim a que o Relvas não deverá escapar e que se tivesse um pingo de vergonha na cara já teria dado o passo, pedindo a demissão. Quem se deve estar a rir de tudo isto é o Vitor Gaspar, que rimando com Salazar, que também começou como Ministro das Finanças para se tornar posteriormente em Ditador por várias décadas, espera a sua oportunidade para se sentar na cadeira do Coelho.

20
Mai
12

Quem se mete com o Relvas…leva

Segundo um comunicado da Redacção do Jornal o Público, “Miguel Relvas terá dito que, se o jornal publicasse a notícia, enviaria uma queixa à ERC, promoveria um “black out” de todos os ministros em relação ao Público e divulgaria, na Internet, dados da vida privada da jornalista”.

Esta não lembra a ninguém, ameaçar que se fosse publicada uma noticia sobre as sua promiscuidade com as Secretas publicava podre da vida privada do Jornalista utilizando a informação que recebeu através dessa mesma promiscuidade e assim acabando a confirmar aquilo que pretendia esconder. Como se não bastasse ainda veio pedir desculpa ao jornal por ter feito aquilo que disse não ter feito. Patético. Se não se demitir ou for demitido estamos perante um personagem descredibilizado e que só se mantém no cargo por ser o apoio do governo com as suas negociatas, pedidos de favor e distribuição de tachos.

12
Mai
12

A PRIMAVERA GLOBAL é já hoje

Faltam poucos dias para este blog fazer seis anos e meio e até hoje nos seus 3224 dias de vida nunca houve um em que não aqui tenha vindo para dizer alguma coisa ou pelo menos publicar os meus bonecos.
Depois desta pequena introdução quero dizer que durante uns dias, pelo menos entre hoje e dia 15 este blog vai estar parado para eu poder participar activamente nesta Primavera Global que vai ligar numa mesma indignação e grito de mudança quase 400 cidades por todo o mundo. Vivendo nos seus arredores é na minha cidade de Lisboa que estarei nos próximos dias. Às 14 horas vou participar na Manifestação que sairá do Rossio em direcção ao Parque Eduardo VII onde espero que muitos se juntem a debater livremente a democracia, o futuro em todos os seus aspectos, da Divida ao Serviço Nacional de Saúde, da Educação à falsa informação, do consumismo às novas formas de relacionamento e partilha. Espero que por lá haja música, jantares comunitários, alegria e o desejo de ocupar aquele espaço e criar ali uma nova forma de estar. Sei que já existem mais de 50 actividades previstas para estes quatro dias, que vão dos debates de ideias, ao Yoga e até um espaço dedicado às crianças. Espero que tudo isso seja só o inicio e que muitos mais se juntem e partilhem ideias, musica e tudo aquilo que desejarem. O espaço será de liberdade estará aberto à participação de todos para poderem partilhar tudo aquilo que desejarem. A mudança faz-se criando, saindo do conforto dos nossos lares e ocupando as ruas e os parques.
Vamos, por isso, todos à manifestação e depois acampar no Parque Eduardo VII.
Para os interessados aqui deixo alguns links.

Blog: http://www.primaveraglobalpt.info/

Lisboa: https://www.facebook.com/events/278304118921316/
Santarém: http://www.facebook.com/events/361011567273888/
Porto: https://www.facebook.com/events/405753622792413/
Coimbra: https://www.facebook.com/events/220132834764631/
Faro: https://www.facebook.com/events/235473599887300/
Évora: https://www.facebook.com/events/317721438298039/
Braga: https://www.facebook.com/events/148024905327920/

 

 APELO

A Primavera Global está mesmo a chegar…e não somos apenas uma andorinha! Somos já mais de 40 países, mais de 350 cidades no mundo, 7 cidades em Portugal – Faro, Évora, Lisboa, Santarém, Coimbra, Porto e Braga. E todos os dias este número cresce…

Em vários locais do país teremos manifestações/concentrações no dia 12 de Maio e haverá um conjunto de iniciativas em espaço público que farão destes dias um imenso e descentralizado Fórum de Ideias na Rua (debates, concertos, refeições, oficinas, cinema, actividades para crianças, etc…) de 12 a 15 de Maio. Esta foi a forma como a Primavera Global pt decidiu aderir ao apelo internacional de um Global May/Global Spring – Acções Globais. E o sucesso é já garantido…mas contamos com todos vocês, pessoas, colectivos e movimentos, para dar maior visibilidade ainda a este evento. Se desejarem participar e criar iniciativas apareçam nos locais agendados e tragam as vossas propostas – em Lisboa temos um email para o efeito: primaveraglobal2012.eventos@gmail.com para onde poderão enviar as vossas propostas de iniciativas no âmbito e no espírito da Primavera Global.

A Primavera Global está a chegar e vai ser certamente um evento único de demonstração da vitalidade dos movimentos sociais emergentes nestes últimos tempos articuladas com organizações e colectivos mais antigos e com iniciativas cidadãs de ampla diversidade.

Convidamos todos a participarem, divulgarem e a construírem esta Primavera Global em Portugal como uma ocasião muito especial de articulação em rede, descentralizada e autónoma, de Indignação e Mudança.

09
Mai
12

O Delfim de Wolfgang Schäuble


Jean-Claude Juncker pretende deixar a liderança do Eurogrupo em Junho e a discussão sobre a sua sucessão à frente do Eurogrupo foi ontem relançada pelo ministro alemão das Finanças. Wolfgang Schäuble, assumiu, pela primeira vez, que não descarta a hipótese de ocupar o cargo mas sublinha que há outras pessoas capazes, como por exemplo, o português Vítor Gaspar. “Pessoalmente, aprecio muito o ministro das Finanças de Portugal, Vítor Gaspar”, disse o político conservador alemão, embora considere “que seria difícil” explicar semelhante nomeação devido ao facto de Portugal ser um país intervencionado.

Porra, se a Europa está como está e o Vitor Gaspar só é Ministro das Finanças de Portugal, o que seria dela se ele mandasse nas políticas económicas de todo o espaço Europeu. Para nós, que nos livrávamos  dele seria uma lufada de esperança, mas deixar um ditador ficar à frente do Eurogrupo, sobretudo sabendo como no caso do Durão Barroso que acabam por ser “mais papistas que o papa”, acabaria inevitavelmente por colocar toda a Europa a pão e água.

06
Mai
12

Pacta sunt servanda

«O governo alemão vai permitir ao candidato à Presidência francesa François Hollande “salvar a face”, mas espera que ele mantenha os compromissos assumidos em nome da França, nomeadamente o tratado orçamental, disse o ministro das Finanças germânico.
Wolfgang Schaeuble declarou que “Dissemos ao senhor Hollande que o pacto orçamental foi assinado e que a Europa funciona na base do ‘pacta sunt servanda’”, ou seja, os compromissos são para serem cumpridos, independentemente do governo que os assina”. “Sempre disse que todos os governantes eleitos têm de poder ‘salvar a face’, por isso vamos discutir isto de forma amigável, mas não vamos mudar os nossos princípios”, enfatizou o governante alemão.»

Mais do mesmo. O governo alemão até está disposto a fazer o favor de aceitar que os franceses escolham outro Presidente que não o Sarkozy, mas exigem que ele se comprometa com as politicas que impõem à Europa e aceite que quem manda são eles. Bom seria que este Hollande fosse homem de palavra e batesse o pá à Merkel, mas a a história já nos mostrou que estes eleitos de alterne acabam todos por fazer o mesmo e seguir as mesmas políticas. Não vamos ter de esperar muito tempo para tirar as dúvidas.

 
04
Mai
12

Não há destinos traçados, só caminhos e escolhas

A tempestade está aí, mas este país, qual Titanic, continua em frente na direcção do seu trágico destino. Hoje soube-se que em Março o desemprego já ia nos 15,3%, a terceira maior taxa da Zona Euro. Em quanto já irá hoje e até onde irá chegar, se até o Primeiro Ministro, no dia dos trabalhadores, nos veio dizer que o aumento do desemprego irá continuar.
Vais deixar ou vais finalmente assumir a tua indignação e exigir a mudança? Está na hora de Portugal ter uma Primavera que lhe renove a esperança e construa o futuro.

03
Mai
12

12-15 Maio Vamos fazer a diferença

Não tenho prazer nenhum em ser pessimista mas há dias em que, olhando para aquilo que me rodeia, olhando para os políticos que temos e para a passividade das pessoas, me custa ver a saída para o buraco onde este sistema capitalista e liberal nos atirou. Estou farto de mentiras, de hipocrisia e de falsas esperanças sempre adiadas para um amanhã que nunca chega.
Que fazer então? Ficar em casa como tantos fazem? Desistir? Se há momentos em que parece o mais acertado há muitos mais em que sei não ser essa a solução. A solução só pode estar em nós, em todos nós unidos pela vontade de encontrar novos rumos e novos caminhos. É isso que me dá a força para, em vez de ficar sentado no sofá sair para a rua e procurar outros que como eu não aceitam resignar-se à inevitabilidade que nos querem impingir. É por isso que no próximo dia 12 de Maio vou uma vez mais desfilar nas ruas de Lisboa, como outros farão no Porto, em Coimbra, em Madrid, em Nova Iorque ou em mais centenas de outras cidades por todo o mundo. É por isso que depois vou ficar no Parque Eduardo VII a debater e a procurar força e soluções para gerarmos a mudança. De 12 a 15 de Maio vou ocupar o espaço público e aí procurar criar uma zona de liberdade e solidariedade, longe dos preconceitos e das certezas que nos impingem. Não sei quantos se me juntarão, mas sei que serão mais que aqueles que foram antes e que este movimento não pode parar de crescer, afirmando a indignação e exigindo a mudança. Se todos nus juntarmos poderemos derrotar o conformismo. Vais ficar parado a ver?

01
Mai
12

Uma luta que é uma festa

Daqui a pouco também vou sair para uma vez mais subir a Almirante Reis para ir para a festa na Alameda. Mais um primeiro de Maio, o dia do trabalhador mas também daqueles a quem esta sociedade nega esse direito essencial que é o trabalho. Já houve tempos em que neste dia era uma festa e ainda hoje é a manifestação com mais barracas de copos e petiscos, apesar dos governos e desgovernos a que temos sido sujeitos. Desemprego, precariedade, roubos  de salários e direitos hoje e a pobreza e miséria como futuro. Demoram os sindicatos em perceber que já não bastam discursos, palavras de ordem bem ordenadas e agitar bandeiras. Está na hora de os sindicatos deixarem de ser parceiros da concertação social e voltarem a ser a força da mão de obra. Será que o querem ser?
Daqui a pouco também vou sair para a “luta” de novo. Vou porque não posso deixar de ir, porque sendo pouco é melhor que nada e vou porque ainda quero acreditar que um dia os trabalhadores e os que não deixam ser vão dizer basta e vão conquistar um novo futuro para eles e para os meus filhos.

26
Abr
12

Viva a Escola da Fontinha

Activistas do movimento Es.Col.A reocuparam a Escola da Fontinha, no Porto, cerca das 17h45 desta quarta-feira.  A multidão espalhou-se pelo interior da escola, pátio e rua de acesso ao estabelecimento. As pessoas abraçavam-se, dançavam e cantavam “a escola é nossa”, como se estivessem num concerto de música festiva. Agora, o colectivo Es.Col.A promete retomar as actividades culturais e sociais que desenvolvia antes do despejo.


A melhor noticia deste 25 de Abril.

25
Abr
12

Quando ver uma cara é ver o coração

Sempre que o Miguel Macedo aparecia na televisão a minha companheira sempre afirmou que não gostava nada daquela personagem porque tinha ar e cara de nazi. Embora concordando com ela também sempre soube que cada um nasce com a cara que tem, e por mais horrível que seja ele não tem culpa. Agora que é Ministro da Administração interna tenho de concluir que há gente que quando lhe vimos a cara acabamos por também lhe ver o coração.

24
Abr
12

Exibicionismo policial

«PSP prepara tolerância zero nas «manifs» do 25 de Abril. Com o 38º aniversário do 25 de Abril a aproximar-se, assim como a celebração do 1º de Maio, a PSP recebeu orientação de impedir todos os desfiles ou acções de rua que não obedeçam aos procedimentos legais para a sua realização.É uma reacção ao que sucedeu a 22 de Março, dia da última greve geral.

Quem tem de assumir a tolerância zero contra a repressão e o fascismo somos todos nós. Este clima de intimidação publica e de criminalização dos protestos mais “ruidosos” e incómodos é que têm de ser banidos e não aceites por ninguém. Em Portugal não existem factos que comprovem nem que justifiquem este clima de opressão criado por um exagerado e visível corpo de segurança policial e muito menos de repressão activa. Não é aceitável que numa sociedade que se reclama democrática e livre se utilize a provocação e a força para calar protestos e indignação perante as mentiras e o abuso de poder que este governo representa e corporiza. A criação artificial pública do medo e a justificação antecipada da repressão que pretendem praticar sobre vozes incomodas que contestam, não só as politicas assassinas deste governo, mas o próprio sistema de ditadura dos mercados exigindo uma democracia verdadeira em que o poder esteja centrado nas pessoas e não na criação e sustento dos grandes grupos económicos. Mas, a indignação não se silencia e cada vez mais pessoas sentem na pele que o roubo aos seus salários e aos seus direitos só serve para alimentar a gula e a ganância dos mercados, mesmo que isso signifique que sejam atiradas para a pobreza e a miséria. A mudança faz-se na rua com ou sem exibicionismo policial porque a única coisa de que devemos ter medo é de ter medo.

21
Abr
12

Es.Col.A – Espaço Colectivo Autogestionado do Alto da Fontinha

Há 5 anos que existia uma escola abandonada e degradada no Bairro da Fontinha no Porto que já só era frequentada por ratos. Um grupo de cidadãos ocupou esse espaço, restaurou-o e fez dele uma zona de liberdade e democracia em perfeita colaboração e partilha com as populações desse bairro. Naquilo a que chamam de Es.Col.A, ajudam-se as crianças nos estudos, criam-se actividades para os jovens do bairro e apoio para os mais idosos de uma forma solidária e desprendida. Xadrez, Yoga, Capoeira, Musica, Dança, Bibliotecas, um sem número de actividades que deram vida e criaram esperança num espaço construído em democracia e liberdade. Num só ano o Es.Col.A passou a ser o centro daquele bairro e o único apoio de muitos que passam por dificuldades devido às desumanas políticas de austeridade e roubo a que este país tem sido sujeito. Aí se partilham refeições confeccionadas com produtos das hortas comunitárias que têm surgido na zona e se reforça a solidariedade e a cidadania. Não a solidariedade da esmola ou da caridadezinha, mas uma solidariedade feita da partilha e da união de todos. Isso parece assustar o sistema receoso que os cidadãos compreendam que existem alternativas possíveis ao mercantilismo e à subjugação aos grandes poderes económicos e que as leis só devem ser válidas e obedecidas quando forem justas. Ver nas televisões ministros a saírem sorridentes de carros de alta cilindrada pagos por todos nós, e depois policias a violentarem cidadãos para lhes retirar aquilo que construíram com as suas próprias mãos é uma imagem que só nos pode causar repulsa e indignação.

Exige-se por isso que o poder aceite a soberania dos cidadãos sobre as suas terras, bairros e cidades e que, se não são capazes ou não têm a vontade de os apoiar, pelo menos não envie os seus cães de guerra para impedir a sua auto-organização.

Exige-se que o Es.Col.A da Fontinha seja devolvida ao bairro e aos seus habitantes.
“O Es.Col.A não será nunca despejado, porque não se pode despejar uma ideia”.

http://indignadoslisboa.net

18
Abr
12

Se ainda escutas a alegria de viver ouvirás o sinal para ficar (ES.COL.A)

Declaração Conjunta de Apoio
Lá do Alto da Fontinha dá vontade de planar. Vê-se outra cidade a ser construída. Tijolo a tijolo, dia-a-dia, mão a mão, sorriso por sorriso. Aquilo que parecia um abismo – uma escola vazia, abandonada e arruinada – tornou-se o próprio espaço do sonho.
Com os pés assentes na terra, constrói-se a solidariedade, o espiríto comunitário, uma ideia de utilidade pública alicerçada na ajuda mútua e na partilha livre do conhecimento. Ali faz-se ainda a democracia directa e participativa que falta. Ali aprende-se a estar vivo. Ali vê-se que a crise que nos quer amedrontados e pieguinhas, foge a sete pés. Não, nem a crise, nem um rio seco e sequioso, nem as cajadadas dos falsos democratas, vão estancar o fluxo desta Fontinha…
Neste momento decisivo, por uma exigência recíproca, cada um deve colocar ao outro as questões humanas e colectivas essenciais.
Esta declaração conjunta de apoio ao Es.Col.A já foi abraçada por dez colectivos e associações, e está aberta a mais adesões de quem quiser e quando quiser. Escreve-nos!
Lá do alto, diremos à cidade que rejeitamos o despejo decretado pela actual gestão do Município do Porto e estenderemos a mão a quem veio por bem e para ficar.

Abaixo reproduzimos a última CARTA ABERTA do Es.Col.A. que fala por si e por todos nós.

A promessa de suspensão do despejo do Es.Col.A revelou-se um logro. Politicamente forçada a dialogar com os ocupantes da antiga Escola Primária do Alto da Fontinha, a Câmara Municipal do Porto (CMP) mais não queria do que anunciar que o despejo se mantinha, embora adiado. Em reunião com dois delegados da Assembleia do Es.Col.A, os representantes da câmara exigiram que o projecto assinasse a sua sentença de morte, traduzida num contrato de aluguer com fim em Junho. A continuidade imediata do Es.Col.a dependeria da assinatura desse papel.
Recapitulando: a 10 de Abril de 2011, um grupo de pessoas ocupou a antiga escola primária do Alto da Fontinha, devoluta e abandonada há mais de cinco anos pelo município que a devia manter. Depois de um mês de ocupação do espaço e já com inúmeras actividades a decorrer, a CMP mandou a polícia despejar violentamente os ocupantes e emparedar o edifício. Depois de um longo processo negocial, o Es.Col.A voltou à Escola da Fontinha onde se mantém até hoje, com a indiferença da CMP.
Esta farsa é, para nós, inaceitável, tal como o é o despejo em si – seja agora, em Junho, ou em qualquer altura. Perante quem tem, repetidamente, falhado no cumprimento da sua própria palavra e que entende o ultimato como forma de negociação, a posição do Es.Col.A só pode ser a de não aceitar a decisão de despejo. Fazê-lo seria desistir do sonho com que partimos para esta aventura, o de transformar as nossas vidas com as nossa próprias mãos, ensinando e aprendendo com quem se cruza connosco, nas ruas da Fontinha.
Porque o Es.Col.A, muito mais do que uma escola, é um laboratório dum mundo já transformado, resistiremos.
Precisamos do sentido solidário de toda a gente que se identifica com o projecto. Em todo e qualquer lado, que a ocupação e a libertação de espaços sejam a resposta generalizada ao ataque às iniciativas de emancipação popular dum sistema que prefere a propriedade, mesmo que abandonada, ao usufruto, mesmo que colectivo.
Que a moda pegue! ai, ai




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