O Partido Socialista escreveu uma carta aos dois partidos que estão à sua direita no Parlamento mas que supostamente estão mais à esquerda a propor-lhes alianças eleitorais nas autárquicas. Mas não fiquem já satisfeitos os que pensam que o necessário é uma união da esquerda para derrotar a direita neo-liberal no poder. Essa aliança só aconteceria nas autarquias onde o PSD ou a sua coligação com o CDS ganharam as últimas autárquicas. Não há aqui nenhuma ideia de linha política ou de criação de uma alternativa. O interesse é puramente ganhar eleições sem haver nenhum pensamento ou estratégia. Tanto mais que para uma possível antecipação de legislativas o Totó Seguro já faz olhinhos ao Paulo Portas com elogios e tudo.
Este PS não tem qualquer ideia de resolver os problemas, de apresentar alternativas ou ser uma solução, tudo o que deseja é ganhar eleições a todo o custo, seja com quem for. Não é de estranhar, quando o seu líder cresceu nas politiquices dos bastidores da partidária isto foi tudo o que aprendeu e tudo o que sabe fazer. Mais uma nulidade e mais uma desgraça para o país se um dia chegar ao poder. Esta é a política de alterne que o sistema defende e nos quer impingir.
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Até se baba por ganhar eleições
Oposições e alternativas
O governo fez a primeira reunião para decidir onde vai cortar 4 mil milhões de euros no estado social. Tudo vai ficar decidido ante do fim do mês e isso faz prever que a indignação faça da manifestação prevista para dia 2 de Março mais um mar de gente nas ruas. As oposições já vieram dizer o que todos sabemos, que isto é a destruição do Estado Social, que é inaceitável, etc, etc, mas todos sabemos que com maioria absoluta tudo será aprovado e a miséria se agravará. Para que serve então a oposição? Para fazer discursos? Para se indignar? Para denunciar? Para Criticar?
Esta democracia em que vivemos é uma falácia e na realidade o que faz é impor uma verdadeira ditadura da maioria durante quatro anos, mesmo quando essa maioria é conseguida através da mentira, do compadrio e da aldrabice. Prometem muito nas campanhas eleitorais, dizem que vão fazer isto não vão fazer aquilo mas depois de eleitos fazem exactamente o oposto sob a capa da legitimidade eleitoral. Nas oposições, uns esperam que o poder lhes caio ao colo para garantir que o funcionamento da democracia de alterne e os outros esperam aumentar as votações e ganhar mais um ou outro deputado. No fim quem fica sempre lixado somos nós que vimos os nossos direitos serem-nos roubados e a injustiça e miséria crescer de dia para dia.
Podiam as oposições fazer mais?. Muitas vezes não mas quando se chega a um momento em que são as próprias bases da sociedade que são colocadas em causa, quando a constituição é desrespeitada todos os dias, quando o Presidente é um incapaz e não cumpre com o seu juramento de a defender, poder-se ia esperar que essa oposição travasse o processo, abandonando a Assembleia da Republica e criando uma crise politica que levasse a pelo menos haver novas eleições. Podiam mas não fazem.
Que alternativas nos restam então a nós cidadãos para mudar isto? Ou os portugueses passam a confiar em partidos em quem nunca mostraram confiar ou tem de se mudar alguma coisa. Nas acampadas e nos movimentos ocupie, muitas alternativas foram debatidas e encontradas. Para a comunicação social o importante foi passar a mensagem que tudo não passava de um protesto de jovens, sem alternativas nem soluções. Mas elas existem e passam sobretudo por um reforço e uma mudança naquilo a que chamamos de democracia. Uma democracia, que continua a ser aquilo que era indiferente aos avanços da ciência, do aparecimento dos computadores e da revolução digital e que lhe permitiriam ser muito mais directa, muito mais participativa e sobretudo muito mais escrutinavel. Deixou de fazer sentido que alguém seja eleito por um período de quatro anos e que durante esse tempo não tenha de prestar contas aos eleitores e que se possa portar como um autentico ditador. Todos os eleitos deviam poder ser demitidos no dia em que não cumprissem com o que prometeram ou quando perdessem a confiança de quem os elegeu. O poder devia estar em todos os momentos nas mãos de todos nós que deveríamos ser ouvidos sempre que fossem debatidos assuntos que interessam a todos nós. Não aquilo a que agora chamam de debate público que não passa de meia dúzia de comentadores contratados para fingir que debatem e no fim o governo aprova o que quer, como quer e quando quer. Era a nós, a todos nós que deveria ser entregue o poder de decidir, de escolher o caminho que desejamos prosseguir e isso só será possível com uma mudança dos sistema. É por isso que na tal manifestação de dia dois essa deveria ser a principal exigência. Não uma simples mudança de governo mas da forma como nos relacionamos com o poder. Os nossos sonhos não cabem nas urnas de voto que nos apresentam de quatro em quatro anos. Soluções há muitas, escolher as melhores só passa pela nossa vontade, por sairmos da nossa “zona de conforto” e irmos debate-las com outros que também acreditam na mudança. Está nas nossas mãos mas só será possível se todos o fizermos em conjunto.
Vamos exigir a mudança
A ideia era fazer um texto a falar da cavalgada do BE sobre os movimentos sociais e o seu aproveitamento da sua capacidade de mobilização, mas encontrei esta imagem e não resisti. Agora faria muito mais sentido falar da responsabilidade que ambos estão a assumir na destruição do Estado Social e do país por não decidindo abandonar a Assembleia da Republica recusando pactuar com tudo isto e preferindo fazer lindos discursos de oposição que nada mudam. Na realidade tudo isto é mais do mesmo, porque só mostram a falta de coragem para avançar, seja abandonando a Assembleia seja promovendo o protesto popular utilizando o seu próprio nome, embora aqui também conte, e muito, o saberem que poucos os seguiriam.
Quer isso dizer que a manifestação de dia dois me Março é um logro? Não, há gente honestamente empenhada na sua realização, o manifesto que a convoca podia ter sido escrito numa sede do Bloco, mas não foi e o pedido da queda do governo é importante, não para que a democracia de alterne funcione mas sim para que se possa fazer um debate de politicas e soluções alternativas. Na minha opinião falta muito daquilo que foram as ideias originais que deram vida a estes movimentos, a democracia verdadeira, a responsabilização dos governantes a recusa do capitalismo dos Mercados e todas aquelas ideias que criaram a esperança em tantos de nós. Falta no manifesto do “Que se lixe a Troika” mas não tem de faltar na manifestação e nas ideias que para lá levarmos. A Manifestação de 2 de Março pode vir a ser uma data importante e que mexa com as nossas vidas, a forma como isso vai acontecer depende muito de nós e na forma como soubermos ser activos e como soubermos exigir esse futuro.
Pela parte que me toca apelo à participação de todos, a que tentem mobilizar todos os que puderem mas que o façam com as vossas ideias, exigindo o que consideram estar certo e ser justo e recusando que tudo isto desagúe simplesmente numa mudança de caras e não numa nova forma de fazer politica mais humana, mais justa e numa democracia mais participativa e directa. Que cada um escreva o seu manifesto e o divulgue, faça o seu cartaz com as suas soluções e sonhos e grite bem alto o que lhe vai na alma. Vamos fazer ouvir a nossa voz.
Mais uma manha paralamentar
Hoje de manha passei em frente a uma televisão que transmitia em directo mais um debate parlamentar com a presença de Sua Exª o Aldrabão Passos Coelho. Nada disto é novo, 230 deputados, alguns membros do governo, um monte de funcionários, jornalistas, técnicos, policias e sei lá que mais numa perda de tempo para saloio ver. Não seio o que disseram, imagino que o PCP e o BE criticaram fortemente o governo e ouviram como resposta que o que dizem não serve para nada, o PS criticou e pôs-se em bicos dos pés afirmando-se como possível alternativa, o PSD e o CDS criticaram o PS por não apresentar propostas e o Passos Coelho fez o seu auto-elogio, acenando com a inevitabilidade das medidas e pintando o futuro deste país com as mais lindas cores do mundo. Nada de novo, nada de construtivo e certamente que ao fim de todas aquelas horas o que dali saiu não criou um emprego, nem impediu a perda de muitos, não melhorou as condições de vida de ninguém, não impediu nenhum disparate do governo nem mudou nada de nada. Nada, zero, um exercício de retórica inócuo, um teatro paralamentar sem interesse algum.
Este governo continua a governar como quer e lhe apetece não respeitando nada nem ninguém, sejam as oposições, a Constituição, as leis ou os cidadãos, cria miséria, fome, desemprego, destruição da economia, perda de direitos e até a morte de alguns sem uma hesitação ou um qualquer sinal de preocupação. Perante isto as oposições nada mais fazem que alguns protestos de ocasião, mais preocupadas com as próximas eleições que com o país real. Mas podem fazer mais e por isso reitero aqui a minha proposta a todos os deputados que não queiram pactuar com o que está a acontecer, que queiram evitar a tragédia, a que já vivemos e a que se aproxima com a destruição do Estado Social, a de que abandonem o Parlamento, saiam, recusem-se a colaborar ou dar cobertura “democrática” ao que está a acontecer. Saiam do Parlamento, não participem e atirem com uma pedra ao charco politico em que vivemos. Algo teria de acontecer, a democracia teria de dar uma resposta e este governo perderia toda a legitimidade (que há muito não tem mas que o jogo politico vai disfarçando). Abandonem o Parlamento e juntem-se àqueles que cá fora protestam e exigem mais democracia, mais directa, mais participativa e mais justa. Não aceitem ser parte do sistema dando-lhe cobertura, saiam do parlamento e façam parte da mudança. Os cidadãos estarão na rua à vossa espera de braços abertos se o fizerem.
Políticos no país da fantasia
Quando comecei a fazer esta imagem a intenção passava por escrever um texto a fantasiar a vida politica em Portugal, das suas relações e ralações e falar da democracia, ou melhor da falta de uma verdadeira democracia. Demorei mais do que pensava a fazer o boneco, tive outras coisas para fazer, é tarde, tenho sono e amanhã às seis e meia toca o despertador para iniciar mais uma semana de trabalho. (Sorte a minha que ainda vou sendo dos portugueses que não tem de ir para a fila do desemprego, cada vez mais longa, ou a fazer biscates para matar a fome à minha família). Fica por isso só o boneco sem mais comentários.
O Estado da Nação
Não tenho prazer nenhum em ser pessimista mas há dias em que, olhando para aquilo que me rodeia, olhando para os políticos que temos e para a passividade das pessoas, me custa ver a saída para o buraco onde este sistema capitalista e liberal nos atirou. Estou farto de mentiras, de hipocrisia e de falsas esperanças sempre adiadas para um amanhã que nunca chega.
Que fazer então? Ficar em casa como tantos fazem? Desistir? Se há momentos em que parece o mais acertado há muitos mais em que sei não ser essa a solução. A solução só pode estar em nós, em todos nós unidos pela vontade de encontrar novos rumos e novos caminhos. É isso que me dá a força para, em vez de ficar sentado no sofá sair para a rua e procurar outros que como eu não aceitam resignar-se à inevitabilidade que nos querem impingir. É por isso que no próximo dia 12 de Maio vou uma vez mais desfilar nas ruas de Lisboa, como outros farão no Porto, em Coimbra, em Madrid, em Nova Iorque ou em mais centenas de outras cidades por todo o mundo. É por isso que depois vou ficar no Parque Eduardo VII a debater e a procurar força e soluções para gerarmos a mudança. De 12 a 15 de Maio vou ocupar o espaço público e aí procurar criar uma zona de liberdade e solidariedade, longe dos preconceitos e das certezas que nos impingem. Não sei quantos se me juntarão, mas sei que serão mais que aqueles que foram antes e que este movimento não pode parar de crescer, afirmando a indignação e exigindo a mudança. Se todos nus juntarmos poderemos derrotar o conformismo. Vais ficar parado a ver?
As cabeleiras das avós
O Parlamento aprovou hoje por unanimidade uma proposta do PCP que elimina a possibilidade das pensões dos magistrados jubilados serem alvo de contribuições extraordinárias, como as incluídas no orçamento, eliminando o artigo 73 da proposta de lei do Orçamento do Estado para 2012. Este artigo previa dois pontos: um estabelecia que o cálculo das pensões dos magistrados era feita com base em todos os descontos respectivos, não podendo, no entanto, ser superior à remuneração de um juiz de igual categoria ainda no activo, e outro que previa que “As pensões de aposentação dos magistrados jubilados podem ser objecto de contribuições extraordinárias nos termos da lei do Orçamento do Estado”, dizia a proposta de lei original.
No entanto, os pareceres enviados à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias contradiziam e geravam polémica em torno destes artigos e os partidos consideraram que o Estatuto do Ministério Público não deve conter normas orçamentais de vigência provisória.
Vem aí mais uma Greve Geral convocada pela CGTP e UGT juntas. Espera-se que a greve tenha uma boa adesão e paralise o país. Esta greve terá duas concentrações, uma às 11 horas no Rossio e outra às 15 em São Bento. Também a Plataforma 15.O se vai manifestar nesse dia, 14.30 horas, entre o Marquês de Pombal e São Bento, passando pelo Rossio.
Apoio esta greve, mas uma vez mais me parece que carece de eficácia e que em nada vai influenciar a discussão do Orçamento de Estado dentro do Parlamento. Chegou a hora de se fazer uma luta mais dura e feita para ganhar. Portugal e os portugueses não têm mais tempo para paninhos quentes e muito menos para agendas partidárias e sindicais. Os sindicatos são as organizações que legitimamente representam os trabalhadores e esse estatuto tem de os obrigar a combater o poder até ao fim. É isso que se lhes exige e foi para isso que os trabalhadores os elegeram.Dia 24 GREVE GERAL
Manifestação 14.30 Marquês do Pomba l- Rossio – São BentoPS: Dia 24 este blog vai fazer greve pelo que não publicará nada nesse dia. Desafio outros blogs a fazerem o mesmo mostrando o seu apoio a esta luta por um país onde as pessoas não sejam tratados como mercadoria nas mãos de banqueiros e políticos corruptos.
«O líder comunista,Jerónimo de Sousa, frisou que governo e grandes interesses querem de forma demagógica “levar as pessoas à passividade”.
Concordo com ele, mas eu que tenho estado sempre presente nas Manifestações da CGTP, também posso frisar que ali também não há uma genuína vontade de apelar à revolta. O PCP descende de uma linhagem revolucionária, já participou na revolução dos Cravos, mas hoje o seu lado revolucionário deve estar metido numa gaveta semelhante à outra onde o Soares guardou o socialismo. São tão organizados, tão certinhos, tão bem comportados que me irrita. Ainda no passado dia 1, uma vez mais os seguranças da manifestação mostraram a sua hostilidade com quem não desfilava no sitio certo, a mostrar os cartazes certos e a dizer as palavras de ordem dos carros de som. Ouvi um desses senhores referir-se a um grupo que cantava e empenhava faixas do Movimento Ruptura como “São uns cagalhões”. Até os comentadores da direita referem frequentemente que as manifestações da CGTP, por maiores que sejam, não os preocupam pois sabem que dali não se passará nada mais que um desfile com um comício na ponta.O que os assusta é o povo à solta, o povo a demonstrar a sua indignação fora dos cordões e do controle. É por isso que dia o dia 1 não os assustava e não mudou um milímetro as politicas e as opções do governo e o dia 15 de Outubro os sobressalta. Eles dizem temer os tumultos e a violência, como se percebessem que o que fazem é merecedor disso, mas o que eles temem realmente é a consciência e a decisão das pessoas na mudança. Mais ainda, quando sabem que nesse dia milhões vão sair à rua em milhares de cidades por todo o Mundo. Algo vai muito mal neste Mundo, é urgente mudar e esta é a hora.
Sem oposição no calr do Verão
PS, PCP e Bloco de Esquerda chumbam o discurso de Passos Coelho. Os socialistas acusam o Governo de tomar uma única medida para o crescimento económico ou para cortar na despesa. PCP e Bloco de Esquerda acusam Passos Coelho de fazer chantagem com os portugueses quando fala em sacrifícios.Custa-me a entender que a oposição a este governo, que tem aproveitado o Verão para anunciar gravissimas medidas para os cidadãos e para o país, e pouco mais faz que algumas declarações para mostrar a sua discordancia enquanto esperam pelo fim das Férias. O que se está a passar é grave demais para não haver já uma mobilização e acções contra estas políticas e estes politicos. Quando o Passos Coelho pede que se evite o clima de conflito social mostra exactamente qual o único caminho a seguir; o do conflito social. Do PS não espero grande coisa para além de uns discursos de ocasião e uns floreados oposicionistas no Parlamento, mas do BE e do PCP esperava-se que estivessem já na rua e não a apanhar sol em alguma praia do Algarve. Este governo tem de ser travado e já.
Pelos corredores de Belém
O dia do jogo final
Há por aí uma série em que um cientista consegue saber quem está a mentir e quem fala verdade. Eu não sou um cientista, mas também reconheço as mentiras que estes nos contam à distância, Hoje é o dia em que as cartas vão ser vistas e alguém vai gritar vitória. A verdade, é que ganhe quem ganhar, nós perdemos sempre.
Discurso Eleitoral – PCP 2011
Um dueto a duas vozes
Um dueto com momentos em que cantaram a duas vozes. Não sei quantos deputados vai eleger o PCP nem sei quantos vai eleger o BE. Sei que os pequenos partidos não vão eleger ninguém, mas sei que a soma dos votos de todos elegeriam sempre mais deputados que a soma das partes. O sistema eleitoral que temos assim o obriga. Compreendo que tenham de defender o seu jardim, de garantirem o seu eleitorado, mas não é a vida de todos os que votam neles mais importante que isso?




















