Arquivo de Dezembro, 2008



24
Dez
08

Prémios Kaos 2008 – Paulo Portas e Filipe Louça

Loucas, loucas, loucas andam as oposições

Loucas, loucas, loucas andam as oposições

Os mais dois ferozes membros da oposição a este governo, aqueles que mais o atacaram e criticaram, Paulo Portas e Francisco Louça recebem o prémio “Loucas por ele 2009”, por serem os principais candidatos a serem escolhidos pelo Engenheiro, se não conseguir a maioria absoluta nas eleições, para lhe fazer companhia num governo de coligação. Loucas, loucas, andam as oposições.

23
Dez
08

Prémios Kaos 2008 – Ratzinger

Ecogaylogia

Ecogaylogia

O Papa Bento XVI indicou hoje que salvar a humanidade de comportamentos homossexuais ou transexuais é tão importante como salvar as florestas tropicais da destruição. “[A Igreja] deverá proteger o homem de se destruir a ele mesmo. É preciso uma espécie de ecologia do Homem”, disse o Sumo Pontífice num discurso perante a Cúria Romana, a administração central do Vaticano.

Para a Igreja Católica, a homossexualidade em si não é pecado, mas os actos homossexuais são-no. O Vaticano opõe-se aos casamentos gay e, em Outubro, um alto responsável da Igreja indicou que a homossexualidade é “um desvio, uma irregularidade, uma ferida”.
In [Publico]

Inicio aqui a atribuição de alguns prémios do Kaos para o ano de 2008. Sem dúvida, mesmo sem considerarmos um passado de hipocrisia e preconceito, só por esta merece o Prémio “Ecogaylogia”, para a instituição mais hipócrita do ano. Um discurso sempre a falar da bondade, da paz e da tolerância, mas tão mal interpretado na prática. Nada de novo, desde a sua criação a religião nada mais foi que uma enorme mentira e uma forma de controlar povos e mentalidades.

23
Dez
08

Um conto de Fadas para 2009

Conto de fodas para 2009

Conto de fodas para 2009

Este Boneco foi publicado no blog “O Libertário” onde colaboro e que recomendo a quem acredita que as utopias se poderão tornar realidade se retirarmos os pressupostos que impedem a sua realização. Poderá um dia a Humanidade atingir um estado tal que a anarquia se torne num sistema possível? Eu gosto de acreditar que sim

PS: Como estou de férias e com algumas restrições de acesso à internet, poderá acontecer que as postagens não mantenham o ritmo normal deste blog. (Tentarei fazer pelo menos um todos os dias).

22
Dez
08

O Pantano da avaliação

Bruxa do ano

Bruxa do ano

De simplex em simplex, lá vai a Sinistra Ministra impondo esta avaliação aos professores. Depois de moribunda, de ser salva pelo Memorando de entendimento, de voltar quase a cair quando cento e vinte mil professores desfilaram em Lisboa e quase toda uma carreira fazer greve, mostrando estar motivados para a luta, não se entende porque nada acontece. Mandando o seu vampiro de serviço, o Pedreira, para fazer a desinformação e a propaganda na comunicação social, (a Sinistra e o Valter Lemos já estão queimados demais), vemos o Sindicato a falar enquanto desmarca greves e parece não saber o que fazer. Não estará na hora de os professores se reunirem nas suas escolas e tomarem a luta nas suas mãos? Vão ficar à espera que se vence esta gente com manifestações e greves feitas de vez em quando? Não estará na hora de exigir mais?

22
Dez
08

O Cabo das Tormentas

O Adamastor

O Adamastor

«O “Cabo das Tormentas” da crise económica acontecerá em 2009. A advertência é do primeiro-ministro que avisa que será exigido do Governo “rapidez na acção” sem ortodoxias. “É preciso estar com a mente aberta para responder aos problemas e não para responder às necessidades da nossa ideologia. Precisamos de ter mente aberta e não ficarmos reféns da ideologia ou das respostas clássicas, porque problemas novos exigem respostas novas“, sustentou o primeiro-ministro. »

Habituados a Cabos das Tormentas estamos todos nós que sempre vivemos na crise de os atravessar. Do paraíso prometido já vamos ao encontro do Adamastor. A rapidez com que esta gente muda o discurso é surpreendente embora ainda mais seja o facto de parecer que muitos achem isso normal. Claro que depois deste discurso tudo é possível e facilmente nos imporão mais sacrifícios. Como estas crises são úteis a quem faz as politicas dos Clubes de Bilderberg e para retirar direitos e para justificar cortes na democracia e nas liberdades.

21
Dez
08

Brinde silencioso

O brinde

O brinde

As auditorias mandadas realizar às contas da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) detectaram perdas de mais de 950 milhões de euros. «Eram desconhecidas da Sociedade por as operações e os factos de onde emergem terem sido ou ocultados ou não devidamente relevados nas suas contas». Isto no mesmo dia em Miguel Cadilhe viu aprovada a sua estratégia para o grupo em reunião de accionistas. À saída, colocou a possibilidade desses mesmos accionistas poderem a vir a processar o estado por falhas na regulação.
O buraco da roubalheira continua a aumentar, nós a pagar mais e mais. O processo ao estado só pode ser brincadeira, afinal não cabe aos accionistas elegerem gente honesta para os cargos da administração e vigiar a sua actuação? Se colocaram lá ladrões, (nem vou perguntar porquê), de quem é a culpa?
Quem desapareceu de todo este processo, mesmo sabendo da sua participação no “estranho” negócio de Porto Rico onde se evaporaram muitos milhões, é o Dia Loureiro. Será que não tinha nada a ver com o SLN?

21
Dez
08

As birras do Pacheco

Boa viagem

Boa viagem

Pacheco Pereira muda de cidade para não votar Santana Lopes
in “iol diário

«Sou eleitor de Lisboa, mas, de facto, é muito provável que para a semana já não seja eleitor em Lisboa. Se o Simplex funcionar para as mudanças de registo eleitoral, para a semana já não sou eleitor em Lisboa, porque não quero deixar de votar no meu partido.» afirmou Pacheco Pereira

Anda Pacheco! Muito gosta o Pacheco de fazer birras quando sempre que as coisas não lhe correm bem na sua infinita sapiencia. Quando não lhe ligam faz uma birra. Ou vira o PSD de pernas para o ar ou muda de cidade. Parece não compreender que as setas do PSD estão viradas para baixo e é por ai abaixo que ele vai. Entre os que são populistas e os que hipocritamente também cabam por o ser, não vai grande diferença. As sondagens e a prática mostram-no.
O Pacheco, esse vai de mal aviada para Santarém. Boa viagem.

20
Dez
08

Fábulas Alfacinhas

Fábulas

Fábulas

Comentando a confirmação da candidatura de Santana Lopes a Lisboa, António Costa comparou-a com a história da Cigarra e da Formiga. Aguardamos ansiosamente a fábula com que o Menino Guerreiro irá contra-atacar. Aceitam-se apostas.

19
Dez
08

Crise? Qual crise?

Supertrampa

Supertrampa

Crise. Nós já estamos tão habituados a estar em crise que nem estranhamos. Estranhamos é que nesta, baixem os preços, a gasolina, os juros no banco, os impostos, estranhamos que, quando nas outras não havia dinheiro para pagar a um vigilante de museu ou a uma auxiliar numa escola, agora surjam, não milhões, mas muitos mil milhões a jorrar por aí. É o plano anti-crise do Sócrates. Um plano que diz ele próprio, é semelhante ao aplicado por todos os outros países da Europa á América. Um plano “global”, tão global como a globalização capitalista. Combate-se o fogo com o fogo, fecham-se os olhos e marra-se em frente.
O que criou esta crise? Foi o crédito mal parado e a ganância da especulação, e é exactamente com os mesmos venenos que criaram os “produtos tóxicos” que procuramos curar a economia. Não entendo nada de economia, mas não compreendo que o discurso seja o de aumentar o endividamento dos portugueses. O Engenheiro diz que o mais importante é o acesso ao crédito das famílias. Quem já está com a corda no pescoço, o que faz bem é apertar mais o nó, para quem não têm dividas deve arranja-las. A solução é criar mais divida, nós e o país. Todos, estes milhões têm de vir de algum lugar e só pode ser do endividamento do país ao estrangeiro. Crédito que vai ter de ser pago um dia por todos nós. Claro que nessa altura já não vai ser o Engenheiro a estar no governo, já terá um lugar na elite europeia, já terá recebido os seus trinta dinheiros dos Senhores dos Bilderberg, e quem cá estiver que se safe.

19
Dez
08

Um Alegre Lar o do Manuel

Lar doce lar

Lar doce lar

O Partido Socialista, preocupado com a sua maioria absoluta em 2009, não se cansa de mandar os seus arautos relembrar ao Manuel Alegre que o PS é a sua casa. o seu lar Falam-lhe ao coração e ao seu quixotesco romantismo. Isso e a reclamarem o seu lugar na esquerda, esquecendo que para isso não basta a propaganda em torno de algumas medidas sociais avulsas. Esquecem que ser de esquerda é estar ao lado dos trabalhadores, garantir-lhes melhores condições de vida e mais direitos, laborais e sociais. Ser de esquerda pressupõe a defesa de valores e princípios que este PS não tem. Para ser de esquerda não basta proclamar-se , tem de agir-se como tal. Quem é de esquerda nunca apresentaria uma lei laboral como a que este governo nos quer impor.

18
Dez
08

A velha e o Menino

A velha e o menino

A velha e o menino

Santana Lopes foi nomeado como o candidato do PSD à Câmara Municipal de Lisboa pelo PSD. O Menino Guerreiro está de volta e logo com a concordância da austera Manuela Ferreira Leite. Mulher que exorcizava o Populismo e apontava o dedo acusador sobre os Santanas e o Menezes, aceita, no seu desespero eleitoral, fazer regressar o Menino, considerado o melhor candidato. Será que as pessoas não se vão lembrar que ele já lá esteve? Daquilo que fez, das trafulhices que permitiu e da bancarrota em que deixou a Câmara?
É preciso ter muita lata para voltar e muita confiança na falta de memória dos lisboetas.

18
Dez
08

A Arma branca

A Arma Branca

A Arma Branca

Um anónimo deixou esta história na caixa de comentários de um post anterior.

Este país (dos aeroportos, TGV´s, Luso Pontes e contentores, BPN´s e BPP´s, Felgueiras, Torres, Sá Fernandes e Loureiros, magalhães e popós-eléctricos, Casa Pia (poucos dentro e muitos fora), velhinhas e freiras a serem presas por pequenos delitos enquanto os verdadeiros criminosos são mandados para casa, idosos a morrerem de fome em tugúrios a cair enquanto se distribui apartamentos e dinheiro a rodos por traficantes, drogados e por quem nunca quis e não quer trabalhar, Saúde, Justiça e Educação com os maiores orçamentos da Europa com os resultados que todos sabemos, EDP´s com lucros fabulosos mas que o regulador diz que as tarifas deviam aumentar 30%, Galp´s cujos preços sobem com o aumento do crude mas que quando o mesmo desce o regulador afirma que os preços não baixam porque o que interessa é o preço do produto refinado, BdP´s que a única coisa que vigiam são as suas reformas douradas, etc., etc.,) começa a exalar um fedor superior ao que se sentia nos últimos anos do chamado Estado Novo…

Para a queda do anterior regímen dei algum contributo, pequeno certamente, mas era o que estava ao meu alcance.
Agora que sinto que o actual, de tão podre, com um pequeno empurrão pode ser obrigado a regenerar-se, apetecia-me também fazer alguma coisa.
O quê, não sabia, mas, há uns dias ao ler num blog que o autor sonhava em promover um “golpe-de-estado”, só que para além do medo que tinha da ASAE não sabia como, deu-me o alento de que necessitava.
– Golpe-de-estado, logo armas; armas? Armas? Oh diabo, não tenho!
Lembrei-me então de que em tempos muito distantes tinha possuído uma fisga; vai daí, corri para o sótão e comecei e remexer os baús velhos; depois de muito lixo e memórias já esquecidas, voilá, a fisga! Já estava armado!
No entanto a felicidade que me possuiu, cedo de esfumou; soprado o pó, estico as borrachas e, paf!, de ressequidas, partiram! Desilusão, amargura: estava desarmado novamente…
Infeliz, passei dias a tentar encontrar uma solução; pensei, pensei e nada.
(Eu sei que devido à vida desregrada que levo, nada condicente com a via para o admirável mundo novo que está em curso, já muitos neurónios fundiram; tal não é de estranhar dado que eu fumo, delicio-me com um bom cognac, bebo vinho às refeições e barro o pão com manteiga, devoro queijos da Serra, Serpa e Azeitão, adoro presunto de Chaves e bons enchidos alentejanos, prefiro cerveja a bebidas light , bebo água sem sabores e, heresia das heresias, não fumo charros nem me drogo e não arranco de empurrão. Perdoem-me, tentem compreender este pobre decadente, que eu prometo ficar longe dos vossos filhos.)
Mas voltando à vaca fria; armas, onde as encontrar?
Atentos ao meu desespero (ou se calhar para se verem livres de mim) alguns amigos disseram: – “Eh pá, se queres uma arma vai a uma dessas Quintas das Fontes ou Bairros das Boavistas, que é coisa que lá não falta.”
Felicíssimo, agradecido pela ajuda, comecei a planear a incursão; sim, não se vai a um sítio daqueles sem preparação.
Lembrei-me que há uns tempos atrás, algumas figuras de vulto desta praça, por lá tinham feito uma passeata e tinham regressado vivos e com todos os bens, coisa que nem sempre acontece a outros cidadãos, táxis ou até à polícia. Depois de alguma pesquisa encontrei a solução.
Assim, com uma t-shirt branca na qual tinha pintados dizeres como peace, love, somos todos iguais, black is beautiful (pelo sim pelo não acrescentei também gitanes are very good, too), cravo vermelho na mão, sorriso parvo na cara (tipo António Costa) e assobiando o último rap, destemido por fora mas receoso por dentro, para as ditas Quintas eu fui.
Lá chegado, apesar de estar fardado à maneira, cedo pressenti que algo não estava a correr bem; mimoseado com alguns piropos não muito abonatórios da minha pessoa bem assim como de algumas sugestões do uso que gostariam de fazer de algumas aberturas do meu corpo, apercebi-me então que, levado pelo meu entusiasmo, tinha cometido um erro grave: faltava-me o apoio.
As pessoas gradas e importantes, quando visitam aqueles locais, vão às manadas e com um batalhão de repórteres atrás (aliás só lá vão para aparecer nas TVs e debitar coisas que nem eles acreditam).
Eu estava sozinho, nem uma pequenina Kodak apontada para mim, e a ameaça de passarem das palavras aos actos ia crescendo, sem que ninguém levasse em conta o valor das mensagens que eu orgulhosamente ostentava no peito; com o temor quase pânico, comecei a pensar que isto de querer fazer uma revolução tinha os seus perigos!
Quase já acossado, apavorado, corri para um sítio onde a concentração de BMW e Mercedes topo de gama era maior e junta à qual estava um grupo de nativos que me pareceu ser menos perigoso, gritando: – “Meus, mim querer comprar arma!” (não domino muito bem a língua local)
Iniciadas as negociações rapidamente chegámos ao ponto de ajustar a mercadoria que eles podiam disponibilizar (a oferta ia desde mísseis, passando por shot-guns até à singela ponta-e-mola) à minha disponibilidade financeira; na altura, dado que entidades menos bem comportadas têm tido direito a toda a espécie de subsídios, telefonei ao Teixeira dos Santos, mas, não tendo sido bem sucedido (ele disse-me que os pobrezinhos do BPP lhe tinham levado os últimos tostões), acertámos a compra de uma pequena pistola; enfim, rejubilei, o primeiro passo em direcção ao derrube do poder estava dado!
Antes de pedir o salvo-conduto para me poder retirar sem problemas, ao inspeccionar o trabuco que tinha acabado de comprar, constatei que o mesmo não tinha munições: “Oh meus, o que é isto?”
Depois de me explicarem que eu só tinha pedido por uma arma, lá reiniciámos as negociações para que eu pudesse adquirir algumas balas; ao pretender obter pelo menos um carregador cheio, começaram as dificuldades.
Interrogatório cerrado, todos ao mesmo tempo, gritando: “Para que é que queres tanta munição? Quantos são os membros do teu agregado familiar (incluindo a sogra)? Quantos inimigos tens (excluindo os membros do Governo, oposição e toda a classe política)? Queres fazer-nos concorrência?”
Com muito esforço, depois de muito esbracejar para os tentar calar, lá consegui fazer-me ouvir: “Meus, é para dar início a um golpe-de-estado”!
Ao ouvirem tal, o silêncio que se seguiu gelou toda a Quinta e arredores, parecendo que o tempo tinha parado e a terra deixado de rodar; as faces deles empalideceram para rapidamente enrubescerem (na realidade não vi, mas suponho que foi isto que se passou por debaixo da pele); empertigaram-se, fuzilaram-me com os olhos, e o maior deles, qual Adamastor, vociferou: “Ó desgraçado, escória humana, ser abjecto (as palavras não foram bem estas, foi mais para o vernáculo), tu queres destruir este paraíso?”
Eu minguei, encolhi, as cuecas ficaram um bocadinho húmidas; com voz trémula, tentei argumentar, falar dos escândalos, das esperanças desiludidas, bláblá, bláblá, mas quando pronunciei as palavras socialismo e revolução o rugido que se fez ouvir, quase me siderou:
“Ó filho de uma mula sem cabeça (apercebi-me logo que era comigo, não com o inginheiro) então tu não vês que a revolução já está em marcha, que o socialismo está na sua máxima pujança? Olha à volta, burro capado, vês os carros, vês as caixas de multibanco arrombadas, vê as jóias que tenho ao peito, vai ver ao plasmas que tenho em casa, tudo gamado aos ricos para benefício dos pobres; se isto não é socialismo, se isto não é redistribuição da riqueza o que é então?”
Ia abrir a boca para falar, mas atendendo ao desenrolar dos acontecimentos, achei por bem ficar calado; aliás ele nem deixou, agora mais calmo, continuou a arengar:
“Ó filho de um cachorro que até a sarna despreza, és um ignorante que não mereces a classe política que tens! Tu não entendes nada! Porque é que julgas, por exemplo, que se alterou o código penal? Hã, hã, diz lá?”
“Por razões economicist…”, pretendi retorquir…
“Piolho coxo das partes íntimas, nada disso! Incapazes da implantação do socialismo por causa das forças capitalistas do bloqueio (desconfio que este tipo esteve nalgum congresso do PCP ou BE) a nobre classe política decidiu delegar em nós a tarefa da socialização de Portugal! Para que a revolução avance, não podemos ser presos, temos que estar livres! Roubando eles por um lado, nós por outro, somos o garante de uma futura sociedade igualitária sem classes!
Parecendo-me que as águas estavam mais calmas, menos encolhido, mais húmido, baixinho, atrevi-me: “Mas eles não redistribuem; eles comem tudo e não sobra nada.”
“O quê?”, gritou o matulão… mas ficando logo de seguida pensativo.
“Agora vou ter que pensar sobre isso; dá cá a pistola e desaparece daqui, rato de esgoto com hemorróidas (era comigo, não com Jaime Gama).”
Sem dinheiro, sem pistola, com as cuecas em estado lastimoso, apressei-me a obedecer.
Chegado a casa, olhando-me ao espelho, disse para os meus botões (que por acaso era um fecho eclair): “Falhado, como queres iniciar um golpe-de-estado se nem uma arma consegues adquirir”; juro, algumas lágrimas debitei.
Depois das necessárias abluções, retemperadas as forças, sentei-me em frente ao LCD (é menos tentador para os agentes da socialização do que o plasma) para pensar; como para pensar preciso de estímulos inteligentes, liguei nas novelas da TVI (o canal 2 ou os Contemporâneos também me ajudam).
A palavra armas não me saía da cabeça; como conseguir uma… Num dos intervalos das novelas, ao correr canais, deparo-me com um programa a preto e branco no qual um gadelhudo cabeludo, fardado à militar bêbado, exclamava: o voto é a arma do povo!
Qual Arquimedes, mesmo não estando no banho, gritei: Eureka!
Aqui estava o que me faltava para poder levar os meus desígnios em frente: O VOTO!
O voto… mas se o voto é uma arma, como é que a mesma funciona? A minha cabeça fervilha, as orelhas já fumegam, os dentes já me doem de tanto ranger… Como é que aquilo é uma arma?
Não sendo praticante há mais de duas dezenas de anos, a recordação que eu tenho do Voto, é que o mesmo é um pedacinho de papel com uns bonequinhos e quadradinhos impressos no qual é suposto pormos uma cruzinha e depois enterrá-lo numa urna; como não me lembrava de nenhuma guerra, intentona ou agressão com utilização de votos, fui fazer pesquisas nas enciclopédias e até na net ; nada! Virei-me então para aqueles amigos que não falham uma votação e pedi-lhe que esclarecessem!
Eles lá tentaram, mas eu não percebi nada; contaram-me eles que ao votar em determinada força politica em detrimentos de outras, estavam a apoiar quem mais prometia ajudá-los sendo assim o voto como que uma arma, pois que atirava os oponentes para uma espécie de limbo.
Confuso, perguntei: “assim sendo, e tendo os portugueses disparado o voto em todas as direcções por mais de 34 anos como é que estamos todos pior de vida com excepção das classes ditas dirigentes e parasitas que os gravitam?”
Como ninguém me respondeu, lá voltei eu para o meu sofá e telenovelas; triste, acabrunhado, pois que aquilo que eu pensava pudesse ser a minha última tábua de salvação, mesmo que fosse uma arma parecia disparar na direcção errada.
Milhares de horas depois, muitas lágrimas vertidas assistindo aos dramalhões, insidiosamente, uma ideia começou a germinar; durante as minhas recentes pesquisas sobre o voto reparei que os partidos em que poucas pessoas votavam tinham tendência para desaparecer e com eles os políticos que lá se acolhiam; algumas vezes, para sobreviverem iam pedir asilo a outros mais votados; logo, esperto, cabecinha pensadora, concluí:
Político alimenta-se de voto! E político privado de voto fenece e já não tem força para comer mais nada!
Aleluia, os sinos já repicam, tinha a arma que me faltava: a abstenção ou o voto em branco!
Estou convicto que com uma abstenção elevada e/ou um número significativo de votos em branco alguém vai mandar parar o baile e exigir que as cartas sejam dadas de novo; eu sei, já os estou a ouvir, é uma acção perigosa para a democracia (há maior perigo do que o estado a que ela chegou? Até a vergonha já se perdeu)!
Alternativa? Olho, procuro, e só vejo as mesmas caras, com os mesmos vícios e desprezo pelo chamado povo; certamente há, mas as barrigas inchadas, as ancas mais gordas e os cada vez mais recheados sacos das benesses e contas bancárias não deixam ninguém chegar à frente.
Então porque não iniciar uma campanha, junto dos amigos e conhecidos, apelando à abstenção ou voto em branco?
A ser bem sucedida talvez algumas fendas se abram e gente honesta e com vontade de servir, e não de se servir, possa aparecer.
Se nós, vítimas do voto nada fizermos, nada vai mudar!

Ainda hoje li no blog “O Libertário” a frase de Errico Malatesta “Foi o sufrágio universal que fez com que um certo socialismo encontrasse a oportunidade de se situar no terreno parlamentar e de se corromper e de se aburguesar”.
Eu já votei em Branco mais que uma vez, numa tentativa de fazer o voto de protesto que deslocar-me à secção de voto e votar branco devia representar. Surpresa minha, esse voto de protesto é anunciado como “Brancos e nulos”. É misturado com aqueles que se enganaram, que não acertaram com a cruz no quadrado. Que fazer então com o meu voto? Só ir colocá-lo na urna nada resolve. Assim, só me resta uma solução, ir procurar e juntar-me a outros que passem pelo mesmo que eu. Procurar outros a quem a exposição diária à televisão ainda não tirou a lucidez de pelo menos questionar o que nos é impingido pela comunicação social, a voz de todos os poderes. Se não vemos nenhuma alternativa temos de a ir procurar. Ainda há gente honesta por aí e, teimosa suficiente, para assim se manter. Quem sabe um dia a anarquia seja, não um meio para atingir um fim, mas o próprio fim a atingir.

17
Dez
08

A nova FRS

O Heroi Romântico

O Heroi Romântico

Frente Romântica Socialista

17
Dez
08

Ai os marotos

Meninos mal comportados

Meninos mal comportados

«Banco de Portugal acusa nove ex-gestores do BCP. São nove os notificados pelo Banco de Portugal no caso BCP. Os três antigos presidente do banco, juntamente com cinco ex-administradores e dois directores-gerais receberam na sexta-feira à noite a notificação do supervisor bancário. A saber: Jorge Jardim Gonçalves, Paulo Teixeira Pinto, Filipe Pinhal, Christopher de Beck, António Rodrigues, Alípio Dias, António Castro Henriques e ainda os directores-gerais Luís Gomes e Filipe Abecassis. Nenhum destes notificados quis, para já, fazer qualquer comentário.»

Isto no mesmo dia em que sabemos da maior fraude financeira de sempre com o caso da Dona Branca dos muito ricos protagonizado pelo ex-presidente do Nasdaq, Bernard Madoff, e que atinge os 50 mil milhões de dólares. Há aí muita gente rica que vai ficar pobre, e muito Banco que vai ficar teso, isto se não resolverem dividir o prejuízo por todos nós. Por cá somos mais modestos e temos só BCPs, BNPs e BPPs, até agora. Desta pobre gente, (no BCP ganhavam 10 mil euros por dia), só um foi preso, os outros continuam alegremente a viver dos lucros. As coimas são altas, podem ir até a um milhão, mas considerando o que ganharam com as trafulhices foi muito mais, vale a pena. Gente fina é outra coisa.

16
Dez
08

Insultos, fracos e mentiras

Insultos ou mentiras

Insultos ou mentiras

Comentando as manifestações que o brindaram no Barreiro e no Seixal, que o chamavam de mentiroso, Sócrates disse que o insulto é a arma dos fracos. O insulto é realmente a arma dos fracos, mas será que o estavam a insultar ou estariam a chamar-lhe mesmo mentiroso? Era mesmo isso, estão a chamar-lhe mentiroso porque realmente o consideram mentiroso. Porque será?




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