Arquivo de 13 de Janeiro, 2009

13
Jan
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Esqueletos cavaquistas

cavaco-esqueleto-armario“O Professor Cavaco Silva, magnânimo, comoveu-se. Contrariando o Sol promulgou o Orçamento porque, afinal, esta ainda é a quadra do entendimento entre os homens de boa vontade. Levado por esse espírito, em 48 horas redigiu no mais puro materialismo dialéctico a antítese da tese que tinha apresentado dois dias antes. “É preciso deixar de lado as querelas” disse mais ou menos no local do discurso onde 48 horas antes tinha dito que estava abalado “o equilíbrio de poderes e o normal funcionamento das instituições da República”. E passou às culpas de tudo isto: “A crise chegou quando Portugal regista oito anos consecutivos de afastamento em relação ao desenvolvimento médio dos seus parceiros europeus”. Claro que antes houve dez anos de governo PSD em que, apesar da conjuntura mais favorável que Portugal teve desde a descoberta do caminho marítimo para a Índia, a nossa curva de desfasamento dos parceiros europeus foi não menos significativa. Apesar dos fundos estruturais, das indemnizações compensatórias e tudo o mais, Portugal não arrancou, mas arrancou-se a vinha e afundaram-se frotas de pesca. Tudo em troca de biliões de ECU. Que década inesquecível. Vai estar connosco por muito e muito tempo. Mas para quê trazer ao Ano Novo fantasmas de décadas passadas se podemos confinar todas as culpas a oitavas mais recentes? O pormenor da década de abastança e falta de crescimento ser dos governos de Cavaco Silva é circunstancial. O importante é que, por determinação presidencial, a sinistra oitava do nosso descontentamento é agora dos governos de Guterres, Durão, Santana e Sócrates. Esses são os culpados no cânone do Presidente que “deve falar a verdade”. Só que ficou de fora da “verdade” a crise no BPN, o seu Conselheiro de Estado e a corrupção.”
2009-01-05 por Mário Crespo no JN

É sempre bom ver que há mais gente que tem memória e se lembra daquilo que foram aqueles tempos e sobretudo que vá evitando que a história “oficial” desses tempos seja branqueada à vontade de alguns.

13
Jan
09

A Fonte do ouro

teixeira-dos-santos-fonte-oiro«As linhas de apoio aos mecanismos de seguro de crédito, com o objectivo de dinamizar a actividade económica e as exportações, foram lançadas hoje. O protocolo de dois mil milhões de euros, assinado entre o Governo e cinco seguradoras no âmbito do novo regime de seguro de crédito, é a primeira tranche de um total de quatro mil milhões.
“O seguro de crédito “assume uma importância vital paras as empresas como instrumento essencial para as exportações, ao permitir cobrir o risco de não recebimento dos pagamentos de fornecimentos efectuados a clientes no estrangeiro por empresas portuguesas”.»

Eis mais 4 mil Milhões que surgem do nada. Nunca vi o estado ter tantos mil milhões para distribuir e gastar. Nunca tanta disponibilidade de milhares de milhões para a saúde, educação, segurança social, cultura. (Ainda me lembre de recentemente fecharem museus por não haver dinheiro para contratar um guarda). O peso do estado era o principal responsável pela crise eterna que vivíamos. Cada funcionário publico, o vírus que infestava e corrompia a economia. Cada euro público gasto em politicas sociais, uma tragédia, mas agora cada milhão gasto com os privados passam a ser uma luz em direcção à salvação. Conseguiram finalmente aquilo que mais desejam, que o dinheiro público, os nossos impostos, sirvam para financiar o privado. Dinheiro que parecia não existir e que agora brota aos mil milhões todos os dias. Fantástico.




Indignados Lisboa

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