Arquivo de 3 de Fevereiro, 2009

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Colocar a Raposa no Governo

nobre-guedes-santinho-portucale
“– Mas no seu caso assinou o caso Portucale.

Eu disse que não ia assinar mais nada depois do Parlamento ter sido dissolvido. O que me disseram que era estritamente necessário era subscrever declarações de interesse público e que isso não podia ser adiado. Era só isso que assinava. Em Janeiro apareceu o caso Portucale e uma assessora disse-me que havia um problema com uma declaração vinda do Ministério da Agricultura e que eu não devia assinar.
– E não assinou?
Não assinei e disse que ia ganhar mais uma guerra. Era mais um ministro que me vai deixar de falar. Já quase ninguém me falava.
– Estamos a falar de Costa neves, então ministro da Agricultura.
Sim. E eu disse paciência. Quando estiver em condições de eu assinar assino. Falei com o ministro Costa Neves que me disse que era um bom projecto, eu também achava isso. E quando a minha assessora me disse que podia assinar, que estava reposta a legalidade, assinei.
– E assinou.
Assinei. Quando assinei esse despacho fiz uma coisa muito extraordinária. Sabe que o meu gabinete acabou de relações cortadas com o grupo Espírito Santo.”
– De relações cortadas?
De relações cortadas. Porque Eu recusei-me a assinar o despacho que queriam que eu assinasse. Se o despacho que eu assinei tivesse sido respeitado não tinha havido um único sobreiro abatido.
– Houve uma alteração ao seu despacho?
Houve uma alteração abusiva do que o despacho dizia.
– Da parte de quem?
Da parte do Ministério da Agricultura. E portanto estou muito à vontade nessa matéria.”

Esta é só uma parte da hilariante entrevista de Nobre Guedes ao Correio da manhã, e para a qual me foi chamada a atenção pelo amigo J.Lima (e que também me enviou mais esta imagem que aqui lhe agradeço).
Numa altura em que tanto se fala de corrupção, das luvas do Engenheiro, assiste-se a uma enorme preocupação dos “políticos institucionais” em separar a politica da justiça. Não uma separação de poderes, o que seria bom se fosse verdade, mas sim de responsabilidade. A comparação feita a Chirac na França, ao Olmerc em Israel, ao Koln na Alemanha ou o Berlusconi em Itália, feita pelo Professor Martelo, em que mostra como se pode estar acusado de corrupção, a parte da justiça, mas isso não os impede de continuarem a governar no plano politico., Se olharmos para a história recente deste país, para os casos que entraram no corredor escuro e intemporal da justiça e que passam por todos os partidos que estiveram no poder, talvez possamos entender as suas razões, o que não quer dizer que as tenhamos de aceitar. A corrupção não pode estar na governação daquilo que é público, que é de todos nós. Aceitar isso é aceitar que a raposa pode entrar, sempre que desejar, no galinheiro.

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Falências e desemprego

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«A GlaxoSmithKline (GSK) está a planear cortar cerca de 6000 postos de trabalho em todo o mundo, de acordo com a imprensa britânica, segundo a qual esta decisão surge na sequência dos resultados anuais da empresa. O segundo maior grupo farmacêutico tem escritórios em Lisboa e emprega 202 pessoas em Portugal, que não se sabe se serão abrangidas por esta medida. Segundo a imprensa, os cortes na Glaxo reflectem também uma descida significativa nas vendas face à concorrência dos medicamentos genéricos.»

Em Davos, os senhores do mundo reuniram-se durante vários dias e saíram de lá sem soluções para a crise. Só esta semana foram anunciados mais de 230 mil empregos. Só na União Europeia já se ultrapassaram os 18 milhões e esse número parece não querer parar de subir. A culpa é da crise, dizem-nos. Vemos os têxteis fechar por falta de encomendas e logo a seguir é uma de agulhas porque os têxteis deixaram de encomendar. Diminui a produção de automóveis e as fábricas que fabricam cablagens ou estofos declaram falência. É a bola de neve da crise a apanhar tudo e todos. Neste momento qualquer empresa que decida despedir não é questionada e esse acto é considerado natural. Mas será que todos os despedimentos a que assistimos são realmente causados pela crise? Será que não há por aí muito gestor oportunista que apanha boleia da crise para fazer uma limpeza nos seus trabalhadores? Como é que um grupo farmacêutico é apanhado na crise? Deixaram as pessoas de necessitar de remédios? A própria Quimonda, afirmou que declarava falência para fazer uma reestruturação. Até quando vamos nós assistir a todos estes despedimentos como se de uma fatalidade se tratasse?
Portugal é um país onde paulatinamente os nossos “parceiros” europeus foram retirando toda a capacidade produtiva, deixando-nos ainda mais na dependência de comprar lá fora tudo o que necessitamos. Somos um país de serviços e um local de férias dos europeus. Não poderemos aproveitar este momento para darmos a volta ao problema e alterarmos a nossa forma de criarmos um futuro?
Em vez de andar o estado a meter o nosso dinheiro em empresas privadas sem qualquer garantia de resolver seja lá o que for, porque não assume o Estado a nacionalização das empresas que declaram falência? Fica com as instalações, a tecnologia e o “now-how” e oferece aos trabalhadores dessas empresas a possibilidade de serem eles a salvar a empresa, a pegarem no seu futuro nas suas mãos. Se, como dizem, a crise é coisa para durar um ou dois anos, então passado esse tempo o esforço destes trabalhadores poderá ser recompensado e a sua vida melhorar. Não será altura de tentarmos fazer a diferença, de alterar alguma coisa e de deixarmos de “oferecer” dinheiro àqueles que, quando tinham lucros cantavam de galo, muitas vezes tentavam fugir ao fisco e nada se preocupavam com o país, para o utilizarmos em beneficio deste país. Ajudar quem trabalha e vive neste país é sem dúvida muito mais justo e a melhor forma de enfrentarmos o futuro.




Indignados Lisboa
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