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Fev
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Colocar a Raposa no Governo

nobre-guedes-santinho-portucale
“– Mas no seu caso assinou o caso Portucale.

Eu disse que não ia assinar mais nada depois do Parlamento ter sido dissolvido. O que me disseram que era estritamente necessário era subscrever declarações de interesse público e que isso não podia ser adiado. Era só isso que assinava. Em Janeiro apareceu o caso Portucale e uma assessora disse-me que havia um problema com uma declaração vinda do Ministério da Agricultura e que eu não devia assinar.
– E não assinou?
Não assinei e disse que ia ganhar mais uma guerra. Era mais um ministro que me vai deixar de falar. Já quase ninguém me falava.
– Estamos a falar de Costa neves, então ministro da Agricultura.
Sim. E eu disse paciência. Quando estiver em condições de eu assinar assino. Falei com o ministro Costa Neves que me disse que era um bom projecto, eu também achava isso. E quando a minha assessora me disse que podia assinar, que estava reposta a legalidade, assinei.
– E assinou.
Assinei. Quando assinei esse despacho fiz uma coisa muito extraordinária. Sabe que o meu gabinete acabou de relações cortadas com o grupo Espírito Santo.”
– De relações cortadas?
De relações cortadas. Porque Eu recusei-me a assinar o despacho que queriam que eu assinasse. Se o despacho que eu assinei tivesse sido respeitado não tinha havido um único sobreiro abatido.
– Houve uma alteração ao seu despacho?
Houve uma alteração abusiva do que o despacho dizia.
– Da parte de quem?
Da parte do Ministério da Agricultura. E portanto estou muito à vontade nessa matéria.”

Esta é só uma parte da hilariante entrevista de Nobre Guedes ao Correio da manhã, e para a qual me foi chamada a atenção pelo amigo J.Lima (e que também me enviou mais esta imagem que aqui lhe agradeço).
Numa altura em que tanto se fala de corrupção, das luvas do Engenheiro, assiste-se a uma enorme preocupação dos “políticos institucionais” em separar a politica da justiça. Não uma separação de poderes, o que seria bom se fosse verdade, mas sim de responsabilidade. A comparação feita a Chirac na França, ao Olmerc em Israel, ao Koln na Alemanha ou o Berlusconi em Itália, feita pelo Professor Martelo, em que mostra como se pode estar acusado de corrupção, a parte da justiça, mas isso não os impede de continuarem a governar no plano politico., Se olharmos para a história recente deste país, para os casos que entraram no corredor escuro e intemporal da justiça e que passam por todos os partidos que estiveram no poder, talvez possamos entender as suas razões, o que não quer dizer que as tenhamos de aceitar. A corrupção não pode estar na governação daquilo que é público, que é de todos nós. Aceitar isso é aceitar que a raposa pode entrar, sempre que desejar, no galinheiro.


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