Arquivo de Maio, 2009



24
Maio
09

Outdoors cá do Jardim – Paulo Rangel

paulo Ranger mamar europa

Vem ai a campanha eleitoral e lá vamos ouvir os velhos discursos do voto útil, das virtudes próprias e dos defeitos dos outros para tudos acabarem a cantar vitória. Claro que depois teremos ainda um prós e contras e umas quantas entrevistas e debates da “inteligência” nacional a justificar os elevados valores da abstenção e a apontar a necessidade de melhorar os mecanismos democráticos e aproximar os eleitores dos eleitos. Depois, volta tudo ao normal enquanto se prepara já a próxima para depois do verão.
Inicio por isso aqui a minha visão de alguns outdoors que vão “forrando” a paisagem deste país.


23
Maio
09

Capataz Azevedo no Reino dos Criseminosos

Belmisro azeveco criseminoso

O empresário Belmiro de Azevedo afirmou que “estar empregado deve satisfazer praticamente toda a gente neste momento” e garantiu que “não há emprego para quem quer estar a passar os fins-de-semana com os pés na água”.
Segundo o “patrão” da Sonae, “nos países que têm uma relação com os trabalhadores muito mais transparente, agressiva e pró-desenvolvimento, as pessoas mexem-se mais depressa e a economia começa a trabalhar mais depressa”. “Nos países como Portugal e os nórdicos, onde as pessoas têm um discurso muito concentrado nos direitos adquiridos, qualquer dia estão agarradas a um caco muito pequenino no meio do mar e vão ao fundo com o caco”, alertou. Para Belmiro, “o direito ao emprego deve existir, mas é preciso ser empregado e é preciso que o empregador exista também. Se o empregador desaparece o barco vai ao fundo”.

Belíssima essa ideia de que devemos aceitar tudo só para manter o emprego. Provavelmente se o patrão decidir que ao toque do chicote trabalhamos mais devemos até agradecer-lhe. Não se preocupe o Sr. Belmiro que quando formos ao fundo com o caco lhe vamos dar a mão para ir connosco. Esquece o Belmiro que foi em Portugal que ficou rico com o suor dos portugueses. Esta gente enquanto os trabalhadores tiverem um direito que seja, enquanto este país tiver um único sistema social não vão descansar. (Até os países Nórdicos que lhes serviram de modelo são agora vistos como perigosos exemplos pelos direitos que concedem aos seus cidadãos). Aproveitam-se da crise de que são os principais responsáveis para imporem mais precarização, aumentarem os horários de trabalho e baixarem salários. Talvez esteja na hora de lhes darmos uma respostas, exigindo mais direitos e melhores salários em troca de não lhes darmos um pontapé no cú e assumirmos a auto-gestão das suas empresas. Todos os povos têm o poder de fazer revoluções se o poder vigente se mostrar incapaz de lhes garantir uma vida digna. Já não falta muito.

23
Maio
09

Ruptura com o conformismo

portugal no prato da europa

É preciso orientar as pessoas para as coisas superficiais da vida, como o consumo e a moda. É preciso criar muros artificiais, aprisionar as pessoas, isolá-las umas das outras.
A turba tem de ser direccionada para fins inofensivos graças à gigantesca propaganda orquestrada e alimentada pela comunidade de negócios, que consagra uma energia e um capital enormes para transformar as pessoas em consumidores atomizados – isolados uns dos outros, sem a mínima ideia do que poderá ser uma vida decente – e em instrumentos dóceis de produção (quando têm a sorte de encontrar trabalho). É crucial que os comuns sentimentos humanos sejam esmagados; não são compatíveis com uma ideologia ao serviço dos privilégios e do poder, que celebra o lucro individual como valor supremo.

Noam Chomsky

Quantos de nós, como eu, sentados em frente do computador ou de uma televisão, não nos revoltamos diariamente com a hipocrisia dos tempos que vivemos, com as mentiras a que somos sujeitos e com a propaganda com que somos bombardeados. Quantas coisas que nunca nos foram importantes se tornam bens sem os quais não podíamos viver, quantas ideias que nos pareciam ilógicas se tornam axiomas de tantas vezes repetidas e afirmadas. Quantos de nós sabemos que é urgente mudar o rumo das coisas e nos sentimos sozinhos e impotentes para o fazer. Quantos de nós, aceitamos a perda de direitos e liberdades, recusamos lutar por aquilo em que acreditamos pelo medo de perdermos o pouco que ainda temos. Quantos de nós temem avançar por medo do desconhecido.

Todos sabemos que esta Europa que nos impõe as suas políticas liberais e nos está a conduzir para a perda de direitos, para uma maior pobreza e uma maior subserviência perante o poder económico das grandes multinacionais. Todos sabemos que esta Europa nos está a destruir o sistema produtivo, forçando fábricas a fechar por serem incapazes de competir no mercado global, retirando-nos direitos laborais em nome da competitividade que temos de ter perante países que tratam os seus trabalhadores como escravos, deslocalizando empresas para aumentar lucros. Todos nós sabemos que os nossos pescadores viram sua capacidade de pesca reduzido para que outros possam vir limpar os nossos mares, que a nossa agricultura está a ser devastada para que outros possam vender cá os seus produtos. Todos nós sabemos isso e que durante séculos sobrevivemos como país independente. Todos nós sabemos tudo isso, mas já nos convenceram que agora só o podemos fazer dentro da União Europeia e nos incutiram o medo de que fora dela não sobreviveríamos. Lá no fundo sabemos que estamos ser vítimas de uma mistificação, mas a solidão e o medo tolhem-nos a acção.
Se este medo e este caminho nos estão a conduzir ao desemprego, á pobreza, à descriminação e à perda de todos os direitos que tínhamos não está na hora de mudarmos. Vamos fazer a Ruptura com a União Europeia e determinarmos nós o nosso caminho, proibindo os despedimentos e utilizando o dinheiro que os estado esbanja a pagar o prejuízo dos grandes especuladores e a gastar a subsidiar o desemprego, na manutenção dos postos de trabalho dos portugueses. Vamos perder o medo e ter a coragem de assumir nas nossas mãos o nosso destino, que não tem obrigatoriamente de ser um triste fado.

22
Maio
09

Os devoradores de queijo

jaime silva paulo portas queijo e leite

O ministro da agricultura Jaime Silva afirmou que «O CDS anda a comer muito queijo ou a beber muito copinho de leite porque o fim das quotas [do leite] foi confirmado na reforma de 2003 quando o CDS e o PSD estavam no Governo» e que ele acabou por herdar uma decisão «imposta» pelo Governo anterior

Enganou-se o Ministro, não foram impostas pelo governo PSD/CDS, mas sim pela União Europeia. Tanto ele, os governos PS, como os governos do PSD/CDS imporiam essa medida fosse quem fosse que estivesse no poder. Até se os partidos mais à esquerda, que continuam a defender a União Europeia e aceitam participar na sua falsa democracia, estivessem no poder teriam de acatar e implementar todas estas medidas que lhe imporiam. Essa e todas as outras que nos têm imposto e que têm destruído a nossa agricultura, as nossas pescas e toda a nossa industria. Só a ruptura com este sistema, com este neo-liberalismo, com esta Europa, cada dia mais subjugada nas suas decisões pelo poder dos grandes grupos financeiros, nos permitirá encontrar as soluções para a miséria e a pobreza para onde nos empurram todos os dias. Vamos lutar todos por uma Europa unida, mas numa união de nações livres e soberanas. Há que quebrar as correntes, fazer a ruptura com esta Europa, com este Banco Europeu, com este Tribunal Europeu, com toda esta farsa que nos fazem viver.

22
Maio
09

As lágrimas de crocodilo

teixeira dos santos guarda tesouro

Os bancos estão com maiores dificuldades em financiar-se, pagando mais pelo dinheiro, procuram meios de compensar a subida dos custos, com mais receita. Uma das medidas tomadas por alguns bancos passa por aumentar os spreads cobrados nos contratos de crédito, o que nem sempre é legal.
O ministro das Finanças garantiu, esta quarta-feira, compreender o aumento dos «spreads» por parte dos bancos. Segundo o mesmo, esta é a resposta possível das instituições bancárias face ao actual cenário de crise. «Não estranho que haja um aumento de spreads», refere o Governante, mas promete que não ficará de braços cruzados perante eventuais abusos.
Teixeira dos Santos diz, no entanto, que estes assuntos não vão ser tratados na praça pública e chama a atenção para a existência de supervisores, salienta na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças.
Quando questionado sobre o papel da banca na economia, o ministro apontou os números da Caixa Geral de Depósitos, cujo crédito total subiu mais de 14% até ao final da semana passada.

Claro que o Teixeira dos Bancos compreende as dificuldades dos bancos e lhes dá todo o seu apoio. Coitado do BES que só obteve 101,3 milhões de euros de lucro no primeiro trimestre deste ano, o BCP de 106 milhões e a CGD de 180 milhões. Estão na penúria e o Sr. Ministro compreende as suas dificuldades, Pelos vistos compreende melhor as deles que a dos cidadãos que têm prejuízo todos os meses na sua contabilidade.
Até quando vamos assistir impávidos e serenos a este despudor, a este sacar a quem já tem pouco para pagar salários, prémios e reformas milionárias a administradores e seus compinchas? Quando vamos ver o Estado mais preocupado com os cidadãos que com os as grandes empresas? Seria tão bom ver quem nos diz representar ser tão solidário com os cidadãos como mostra ser com a banca.

21
Maio
09

Clones politicos

socrates ferreira Leite duas moedas

A líder social-democrata, Manuel Ferreira Leite, afirmou que teme que o Estado esteja a aumentar de dimensão com o combate à crise e apontou o risco de Portugal ficar «irremediavelmente pobre» se não inverter o seu endividamento. «Temos que ter muita consciência de que se não ultrapassarmos esta questão nos próximos quatro ou cinco anos Portugal vai ficar irremediavelmente pobre», afirmou a líder do PSD. Apesar da análise negativa, Manuela Ferreira Leite não se considera uma fatalista, mas «insistir na mesma política que nos está a empobrecer é dizermos que somos fatalmente pobres».

Pela primeira vez concordo com uma afirmação da Horribilis Manela quando diz que se insistirmos nestas politicas estaremos a agravar a situação de pobreza deste país. A questão que se coloca é a de estas afirmações serem feitas por quem menos as pode fazer. Afinal ela e o Sócrates são duas faces da mesma moeda, que é como quem diz das mesmas politicas. Sendo ambos os partidos, partidos de alterne do poder, em que um substitui o outro quando os portugueses se fartam dele, as alternativas que representam é nenhuma. Deve vir com a lições dos Bilderberg bem fresquinhas, agora que acabou de chegar da sua reunião anual, mas não podemos esquecer que há muito que o Engenheiro se rege por essa mesma cartilha. Cabe-nos a nós dizer não a esse destino para onde nos conduzem e escolher outro rumo que garanta o emprego, proibindo os despedimentos e recusando a ideologia neo-liberal que nos impõe a União Europeia fazendo já a ruptura com as suas instituições.


21
Maio
09

The show must go on

socrates ferreira leite portas Cavaco pinto balsemao durao barroso palhacos

Ligar a televisão e ver as trocas de argumentos entre os Rangeis, os Santos Silvas e outros que tais, o volume e o dramatismo que os média lhes dão, a transformação de tudo isto numa palhaçada, seja no caso do Lopes da Mota, da professora que falava de romanos que comiam, comiam, tinham uma bacia, vomitavam, comiam, comiam, tinham uma bacia, vomitavam, dos comentários dos Pachecos e dos Marcelos ou de outros quaisquer. Como discutimos, como nos indignamos quando a realidade se torna cada dia mais negra. Vivemos na era em que não há mentira que não se transforma em axioma, nem facto que não se apaguem da história e da memória. Vivemos a época da descarada promiscuidade pornográfica entre o estado e os grandes interesses privados e que nos transforma em bovinos espectadores do espectáculo que nos oferecem. Até quando?


20
Maio
09

Um Abraço de consolação

cavaco silva pedro silva pereira cristo rei

O presidente da República diz que é normal que em tempos de crise os católicos procurem no Cristo Rei um abraço de consolo e protecção. Cavaco Silva falou aos jornalistas no âmbito das cerimónias religiosas do cinquentenário do Cristo Rei, em Almada. Ao mesmo tempo defendeu que a obrigação de um presidente da República é ‘estar presente nas efemérides que têm significado para os portugueses’.
Por outro lado, o ministro da presidência, Pedro Silva Pereira, destacou o papel da Igreja Católica na sociedade portuguesa e referiu que o Governo participa nas comemorações por se tratar de uma manifestação religiosa que também é popular.


20
Maio
09

Internacionalização do sindicalismo capitalista

carvalho da silva joao proença ces

A CGTP e a UGT participaram na euro manifestação de Madrid, uma iniciativa da Confederação Europeia de Sindicatos (CES) contra a crise e pelo emprego. No desfile, que ao fim da manhã percorre o centro da capital espanhola, participam 50 mil sindicalistas de Espanha, Portugal, França, Itália, Bélgica, Turquia e Andorra. De Portugal, as duas centrais convocaram 1900 sindicalistas para as ruas madrilenas. “Fomos os primeiros a fazer manifestações conjuntas em Portugal no ano 2000, foi no Porto com 80 mil pessoas”, recorda, ao PÚBLICO, Manuel Carvalho da Silva, da CGTP. A seu lado, no Passeo de la Castellana, à porta do café Gijón, local de concentração da participação sindical portuguesa na euro manifestação da CES, está João Proença, da UGT.

Texto “raptado” do blog Anarkismo.net
Mais de 330 organizações, de todos os continentes, reivindicando 167 milhões de sindicalizados vão criar a Confederação Sindical Internacional (CSI).
Esta internacional sindical teria o exclusivo, na prática, como interlocutor dos organismos internacionais de «regulação» da mundialização capitalista.
Emílio Gabaglio está na base deste projecto: ele é o ex-secretário geral da CES (Confederação Europeia de Sindicatos). Esta, sob a sua direcção, sofreu uma viragem no sentido de uma mais acentuada subordinação aos objectivos políticos da Comissão Europeia. Por exemplo, a CES esteve oficialmente implicada no apoio à guerra imperialista do Kosovo, aprovando a guerra ilegal e o bombardeamento às populações civis pelas forças da NATO… Mais recentemente, a CES tomou posição a favor da «constituição» europeia, documento que institui a desregulação completa do mercado laboral. Aliás, ao repudiar a «directiva Bolkestein», a CES entrou em contradição consigo própria, pois esta directiva se situa no directo cumprimento do projecto (abortado) de «constituição» europeia.
Ao nível mundial, pretende esta corrente sindical, dita de sindicalismo de acompanhamento, «representar em exclusivo» os trabalhadores.
Isto revela sua ambição totalitária, tendo em vista anular a possibilidade de expressão independente de outras correntes. Nomeadamente, remetendo para o gheto as correntes do sindicalismo alternativo e do anarcossindicalismo, ambas com expressão significativa em vários países europeus e não-europeus, não apenas em termos numéricos, como de capacidade de intervenção ao nível local, nacional e mesmo global (nomeadamente nos dias de acção global, com apoio de organizações sindicais diversas).
É mais um passo DA GLOBALIZAÇÃO CAPITALISTA E DA SUA INFLUÊNCIA DIRECTA NO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES, AO NÍVEL MUNDIAL.

19
Maio
09

Os brincalhões do CDS

paulo portas nuno melo yellow submarine

Esta loucura de outdoors que agora tapam Lisboa mostra bem o desespero dos partidos em tentar convencer as pessoas de que são diferentes daquilo que todos sabemos que são. Os cartazes do PSD são do pior que por aí anda, os do PS sem graça nenhuma e agora vem o CDS dizer-nos que Não andam a brincar com a politica. Pois não, andam a brincar connosco, como andaram noutras alturas andou o Portas a brincar com sumarinos. Isto sem esquecer aquele fantástico miltante chamado “Jácinto Leite Cápelo Rego” que apareceu nas contas do partido.
Continuem a “brincar” e talvez o Paulinho das Feiras tenha a triste noticia de que o Nuno Melo não vai para Bruxelas e vai continuar por cá a fazer-lhe sombra.
Ainda iremos ver estas duas comadres a contarem-nos “verdades” no próximo congresso do CDS?


19
Maio
09

A luta dos Gatos-Pingados

socrates ferreira leite gatos pingados

Portugal e todo este sistema neo-capitalista está a conduzir-nos para uma morte anunciada. Estes abutres, quais gatos-pingados, mesmo sendo culpados e responsaveis pelo actual estado das coisas, até pelo quase-cadaver deste país lutam.


18
Maio
09

Manual para professores papagaios

Maria Lurdas rodrigues papagaio exame

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, defendeu hoje que o “manual de aplicação” destinado aos professores durante a realização das provas de aferição “é muito útil” e “absolutamente necessário” aos docentes para assegurar igualdade em todas as turmas. A ministra frisou que o manual, que dá indicações muito específicas, incluindo as frases que os professores devem dizer a cada momento da prova, “é um guia de apoio aos professores”.
ATENÇÃO
A partir daqui, siga cuidadosamente os procedimentos descritos no Guião de Aplicação de cada prova.
Não procure decorar as instruções ou interpretá-las, mas antes lê-las exactamente como lhe são apresentadas ao longo deste Manual.

Para consultar o texto completo “Clique AQUI”.

Felizmente não sou professor porque não tinha estômago para aturar tanta humilhação. Fazer do professor um incapaz de tomar conta de um exame, dizendo-lhe exactamente, não o que deve dizer, mas o que deve ler em voz alta. O que isto quer dizer é que não há necessidade de na sala da avaliação estar um professor. Podia estar um polícia, um estivador ou um Engenheiro da Independente, desde que soubesse ler.
Até quando vão os professores calar a sua indignação e correr com esta gente? Até quando vão gritar nas manifestações e calar nas escolas? Até quando vão jurar lutar contra as medidas impostas pela sinistra e cumprir às escondidas as ordens do ministério? Até quando?


18
Maio
09

Conquistas sindicais

Mario Nogueira eleições do SPGL

Dia 30 os professores saem de novo à rua para se manifestarem contra as politica da Sinistra Ministra. Já aqui afirmei que não sou professor, mas que como pai e cidadão me sinto parte interessada nesta luta, por sentir necessidade de defender uma escola pública democrática e de qualidade. É o futuro dos meus filhos e deste país que estão em causa. Acreditei que os professores, profissão que respeito e admiro, podiam vencer este braço de ferro e abrir uma brecha nesta falsa democracia em que vivemos. Acreditei que eram uma profissão culta, informada e que tinham todos os argumentos e armas para vencer. Quando os 120 mil desfilaram pelas ruas de Lisboa, vi finalmente uma profissão unida numa luta e tive a certeza que iam vencer. Não iam, já tinham vencido e só bastava um pequeno empurrão para a Ministra e a sua quadrilha ruírem. Bastava que as organizações sindicais não tivessem deitado a mão à ministra e a tivessem salvo. Bastava que não tivessem assinado um acordo, o famoso memorando, que lhe permitiu sobreviver e lhe deu tempo para dividir aquilo que estava unido; os professores. Hoje, derrotados os professores vêm o seu vínculo profissional perdido, a sua dignidade espezinhada e o seu futuro ameaçado. Perderam os professores e perdemos todos nós.
Onde falharam? Falharam ao não assumirem a luta nas suas mãos e em confiarem em quem os dizia representar. Falharam ao acreditar que quem “luta” dentro do sistema esteja interessado em o destruir ou até em o modificar.
Acredito que para lutar contra este sistema há que começar por o negar e começar a lutar fora das regrazinhas e do ser politicamente correcto. Há que lutar sem se procurar protagonismo ou esperar que nos ofereçam um lugar ao sol. Infelizmente os sindicatos que temos fazem mais jogo politico que luta real pelos interesses dos trabalhadores. Em cada manifestação acabam mais a tirar a pressão à panela do descontentamento que em resolver realmente os problemas. Vivemos tempos de mentiras e de consolidação de uma falsa democracia. Acredito que só na independência dos poderes políticos e na união de todos pode estar a resposta.
Desta vez, não vou estar presente na manifestação dos professores porque não acredito que vá mudar seja o que for. Prefiro ir para a rua falar com as pessoas, falar-lhes da necessidade de acabar com este estado de coisas, de proibir os despedimentos, de construir uma verdadeira democracia em que não sejamos, o “rebanho tolo” que querem que sejamos.
Acredito nos sindicatos e na sua força para mudar o mundo, mas isso só será possivel quando agirem, não em nome dos trabalhadores, dizendo-lhes o que têm e devem fazer, mas quando forem a união da sua verdadeira vontade. Não os lideres que conduzem as lutas dos trabalhadores, mas a arma nas mãos desses trabalhadores.


17
Maio
09

Que engraçadinho que ele é

cavaco silva palhaço

Quando confrontado com os novos números da economia em Portugal, (PIB -3,4% e desemprego de 8,8%), o PR surpreendeu: «Estou em mangas de camisa e deixei os números na algibeira do casaco». Como não tinha os números com ele, não pôde comentar… Nada pior para quem não tem graça nenhuma querer fazer piadas. Acabam sempre por ser de mau gosto, como esta o é para todos nós, mas bem mais humilhante para quem já vive a catástrofe do desemprego. Faz lá as tuas viagens, os teus passeios mas pelo menos “porque não te calas”.

17
Maio
09

Estes guardam bem a sua “casa”

socrates Ferreira leite Portas Louça Jeronimo gang dos 5

Quando os partidos partiram e repartiram e ficaram com a melhor parte ninguém estranhou. Essa arte eles têm e até demais. Na nova lei do financiamento dos partidos, passaram de poder receber 22 mil euros em dinheiro vivo, isto é sem controlo de quem o oferece, para uns míseros milhão, duzentos e cinquenta mil euros. A indignação passou pelo país e muitos questionaram a justiça da lei. Logo a Manuela Ferreira Leite veio dizer que se estava mal, por ela podiam mudar de novo. Reuniram-se os deputados, em privado como gostam de tratar estes assuntos e aparecem com uma alteração para resolver o assunto. Quando esperava ouvir que tinham recuado naquilo que nos indignava, aparecem a dizer que os partidos podem guardar para outras campanhas receitas feitas na anterior. Já as candidaturas independentes ou candidatos à PR terão de entregar ao estado esses lucros. Só podem mesmo estar a gozar connosco.





Indignados Lisboa

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