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Jun
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Outdoors cá do Jardim – Abstenção

abestencao outdoor

Neste dia a que chamam de reflexão para o voto de amanhã para as eleições europeias, resolvi colocar o meu outdoor pessoal. Até hoje nunca deixei de participar em nenhum acto eleitoral, mas já aqui disse neste blog as razões porque defendo que o meu voto vai ser na abstenção. Recuso-me a participar na farsa europeia e na legitimação do parlamento que resultará desta eleição. A democracia que vivemos já é falaciosa em si mesmo, retirando aos cidadãos o direito a decidirem sobre os actos concretos que lhe dizem respeito, concedendo-lhes somente o direito a colocarem um papel numa urna de quatro em quatro anos. Depois, durante quatro anos, os “inteligentes” decidem por nós, “o rebanho tolo”, mesmo fazendo o contrário daquilo que prometeram fazer, alegando a legitimidade que lhe foi concedida pelo acto eleitoral. Se a isso juntarmos a força da propaganda para a “fabricação do consentimento” e de um sistema construído sobre a existência de dois partidos de alterne, diferentes na cor mas iguais nas politicas, podemos imaginar que quem tem o poder sabe que nunca o perderá. Pode mudar a cara do líder ou o partido vencedor, mas será sempre mais do mesmo. Se isto é verdade a nível nacional, mais se agrava quando estamos a eleger 22 pessoas de vários partidos, que defenderão ideias diferentes num mar de muitas centenas de deputados europeus. Mesmo os deputados que, não só dizem mas efectivamente querem mudar as politicas neo-liberais europeias, acabam por ser vozes isoladas e sem nenhuma força para mudar seja lá o que for. É a ditadura democrática do poder instituído. Não vou participar nessa farsa e por isso o meu voto é a abstenção.



3 Responses to “Outdoors cá do Jardim – Abstenção”


  1. Junho 7, 2009 às 07:50

    Assim como eu tenho o direito de votar (e vou fazê-lo), tens todo o direito de te abster. O que não podes dizer é que o teu voto é a abstenção porque ela é justamente a recusa de votar e participar num acto, apesar de tudo, democrático. Quem defende a democracia mas entende que nenhum dos partidos candidatos a sufrágio é merecedor da sua escolha vota branco (ou nulo).
    E, só para concluir, acusar genericamente “a democracia em que vivemos” e todos os partidos (os “inteligentes”) sem excepção, da governança vergonhosa de que temos sido vítimas há mais de 30 anos, metendo tudo e todos no mesmo saco, parece-me injusto e não conduzir à pretendida mudança da situação. Situação que, é bom não esquecê-lo, têm sido os eleitores que, ao longo dos anos, têm perpetuado com o seu voto maioritário ora no P”S”, ora no PSD/ CDS.

    Abraço.

  2. 2 wehavekaosinthegarden
    Junho 7, 2009 às 17:10

    Maio:
    A questão aqui não está nos partidos concorrentes, mas na presença de Portugal na UE. Eu defendo que deveríamos sair e assim sendo não vou votar para sentar ninguém num parlamento que representa uma UE e que não serve para nada. A minha abstenção é uma posição política e não o simples não me dar ao trabalho de ir votar. Não são os partidos ou os candidatos que estão em causa, mas sim as ideias que defendem. Todos querem ir para o Parlamento europeu e nenhum irá com o meu voto

  3. Junho 7, 2009 às 19:00

    kaos:

    Percebo o teu ponto de vista mas, mesmo assim, não concordo contigo.
    Sempre fui avesso às teses nacionalistas do isolamento político. Mesmo na velha querela ideológica entre o “socialismo num só país” de Estaline, e o socialismo internacionalista, de Trotsky, a minha simpatia sempre foi para o segundo.
    Quanto à União Europeia (e até quanto à globalização), não há um mas, basicamente, dois conceitos: um, que serve os interesses dos grandes grupos financeiros e, naturalmente, dos Estados mais fortes, outro, que defende uma UE socialmente mais justa, mais solidária, mais igual. E portanto a “questão aqui […] está [precisamente] nos partidos concorrentes, porque uns (lamentavelmente, os que conseguem mais votos…) defendem a UE dos ricos, mas outros (que ainda os há…) continuam a lutar contra a injustiça, a exploração, a desigualdade, por uma Europa dos povos, em oposição à Europa do grande capital.

    [Vamos ver as sondagens à boca das urnas…]

    Ab.
    Maio


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