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Nov
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Presos pelos tomates

Isto de já não se ser novo tem as suas coisas más, como dores de costas, a necessidade de óculos para ler ou tratarem-nos por Senhor. Felizmente o que se perde de um lado compensa-se pela experiência ganha e a memória das coisas. Como dizia o Vitorino Nemésio, “se bem me lembro”, quando entrámos para a União Europeia  tudo eram sorrisos de uma Europa social e solidária. Com ela vieram os milhões da Europa que gastámos em belas estradas, por onde hoje chegam as batatas e os Porches, em facturas falsas e na criação de um gang de banqueiros e empresários que ainda hoje continuam a mamar desenfreadamente na teta do estado. Em troca pediam pouco, que destruíssemos a nossa agricultura e desmantelássemos a nossa indústria. Nunca mais esqueci aquela imagem de ver serrar a meio traineiras. Mas, que importava isso se havia milhões por todo o lado. Até que chegou o dia em que nos disseram que havia muitos mais milhões para chegar, mas que tínhamos de começar a colocar a nossa parte. Construi-se uma ponte e eles pagavam metade, pagavam metade de tudo. Claro que faltava a outra metade mas essa também não era problema; também tinham os bancos que estavam dispostos a emprestar-nos tudo o que desejássemos a um juro muito pequenino. Ainda ficámos com mais milhões para esbanjar e distribuir pelos amigos, porque aos milhões que a  Europa nos oferecia ainda podíamos somar os outros milhões que nos emprestavam.
Hoje, que já estamos com a corda no pescoço, transformaram-se em mercados e não hesitam a em puxá-la a seu gosto. Hoje, a UE ainda tem 17.4 mil milhões disponíveis para nos dar só que nós nem para fazer empréstimos temos dinheiro. Os juros sobem, sobem, e estamos impotentes para  evitar a bancarrota. Aquela Europa solidária que nos acolheu no seu ceio é a mesma que agora empresta dinheiro aos Bancos a 1% de juros para esses bancos nos poderem comprar a divida soberana a um juro de 7%. Estamos como o tóxico-dependente que já não passar sem a nossa doze regular e há muito vendeu todos os anéis. Que falta que nos fazem agora aquelas traineiras que vi cortar a meio.

 


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