Arquivo de 22 de Novembro, 2010

22
Nov
10

O céu não pode esperar

Feytor Pinto teme “branqueamento” das ideias de Ratzinger. O prelado português garante que sempre foi esta a posição do Papa sobre o preservativo. Mesmo quando Bento XVI se deslocou pela primeira vez ao Continente Africano defendeu que, ao invés de combater a propagação da sida, “pelo contrário, a sua utilização agrava o problema”. Na altura, Bento XVI encorajava a abstinência para impedir a propagação da doença.
Ainda bem que nos veio esclarecer, não fôssemos nós acreditar que ele pudesse não estar bom da cabeça quando disse que: “Podem haver alguns casos em que se justifique o uso do preservativo, quando, por exemplo, uma prostituta utiliza um profilático. Isso pode ser o primeiro passo em direcção a uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade, consciente de que nem tudo é permitido e não se pode fazer tudo o que quer”. Não é que fosse um grande avanço na incipiente capacidade mental da Igreja sobre a utilização do preservativo, mas temos que nos lembrar que o Papa é o representante de Deus na Terra, os dois devem conferenciar com frequência, e o seu trabalho é o de arranjar almas para entregar no céu. O seu negócio não é salvar vidas, mas sim salvar almas. Claro que há outros há que acreditam no Pai Natal.

22
Nov
10

A ostentação da força contra a força da paz

Agora que os Senhores da Guerra se foram embora Lisboa pode regressar à sua normalidade. Lisboa foi uma cidade sitiada com ruas e bairros bloqueados. Gastaram-se muitos milhões para se poder tirar fotografias de líderes mundiais a assinar acordos há muito discutidos e decididos. (Ninguém pode acreditar que uma Cimeira EUA-Russia dure 20 minutos e daí tenham saído todas as resoluções anunciadas). Retirou-se a liberdade aos cidadãos que foram tratados como criminosos, fecharam-se fronteiras e impediu-se a entrada a gente por razões ridículas como o trazerem uma fotocópia de um manifestos contra a NATO, ou T-shirts ou até um manifesto em defesa da escola pública. Fechou-se o espaço aéreo, até partes do Rio Tejo. Ridículo e triste. Vendeu-se o medo na forma de black-bloques, mostrando imagens de violência e notícias alarmistas como a da presença,  já no interior de Portugal, de milhares desses elementos.
De todas estas fantasias o que resultou? Nada para além de uma despesa “milhãonária”.
Black-bloques não se viram, violência não houve, na manifestação trataram-se como animais jovens e idosos (ia lá uma fantástica senhora irlandesa de 83 anos com uma bandeira da paz), gente a quem apelidaram de anarquistas como se isso fosse crime ou pecado. Gente que desceu a Avenida, cercada por 3 polícias, fortemente armados, para cada manifestante (como afirmou o chefe da Unidade Especial). Ao som dos tambores dos Ritmos de Resistência, uns jovens simpáticos e bem dispostos, os poucos problemas que podiam ter acontecido deveram-se exactamente à megalómana ostentação de força e à forma como trataram como animais enjaulados gente que se manifestava civicamente e que em momento nenhum praticou ou mostrou querer praticar actos violentos. Foi para mim um prazer, uma satisfação e uma honra estar nesse grupo junto com essa gente.




Indignados Lisboa
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