25
Nov
10

A Greve dos 3 milhões

Com a greve geral a chegar ao fim, Governo e sindicatos divergem na leitura dos factos. Ambos festejaram os números, mas por razões diferentes: para a CGTP e UGT, foi a maior greve da história, com três milhões de trabalhadores a aderir à jornada; para o Governo, “o país não parou”.
Quem tem razão? Se calhar nenhum, mas o importante não é o número nem é parar o pais. Importante mesmo é mudar, não só de politicas mas sobretudo de sistema. Acabar com a submissão do poder politico ao poder dos mercados, deixar de dar mais valor ao lucro que às pessoas, deixar de pensar a economia como um fim, mas como uma ferramenta de desenvolvimento. Há todo um país para desenvolver, maõs desempregadas ansiosas por trabalhar, campos abandonados à espera de serem produtivos, um mar imenso à espera de traineiras. Traineiras como aquelas que vi serem cortadas a meio por opção de uma  união europeia ao serviço do capitalismo e da ganância dos grandes grupos económicos.
Que mudou esta greve? Pouco, os portuguêses já se preparam para subtituir no governo um partido de alterne pelo outro, deixando tudo na mesma, esquecendo que não são as pessoas mas as politicas aquilo que os trama.
Valeu a pena fazer greve? Claro que valeu. Valeu porque mostrou que há muitos dispostos a lutar por melhores condições. Valeu porque mostrou que a capacidade de aceitação dos portuguêses a estas políticas está a chegar ao fim. Valeu porque lutar por melhores direitos e condições de vida vale sempre a pena.
Teria valido mesmo muito a pena, se representasse o inicio de uma luta, uma luta que não pode ser de feita só de esporádicos passeios a descer a Avenida da Liberdade ou de greves intermitentes. Como se gritava na manifestação, “greve geral daqui até ao carnaval”. Só parando efecivamente este país, não aceitando acabar com a luta sem saír se vencedor. Dificuldades seriam muitas, sacrificios ainda mais, mas isso é o que já nos pedem agora sem haver um horizonte de melhoria e esperança. Que mais terá de fazer este poder para que digamos, Já basta e o assumamos nas nossas mãos?


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