Arquivo de 13 de Janeiro, 2011

13
Jan
11

A amizade é muito bonita

Não é algo de novo nem que muitos já não conhecessem, mas recebi um mail com o texto e é sempre bom não deixar esquecer a alguns e dar a conhecer aos que andaram mais distraídos nestes últimos trinta anos e acreditam que para se ser mais honesto que o Sr. Silva é necessário nascer duas vezes. Não é.

Naqueles longínquos anos 80 o Prof. Aníbal Cavaco Silva era docente na Universidade Nova de Lisboa. Mas o prestígio académico e político que entretanto granjeara (recorde-se que havia já sido ministro das Finanças do 1º Governo da A.D.) cedo levaram a que fosse igualmente convidado para dar aulas na Universidade Católica.
Ora, embora esta acumulação de funções muito certamente nunca lhe tivesse suscitado dúvidas ou sequer provocado quaisquer enganos, o que é facto é que, pelos vistos, ela se revelou excessivamente onerosa para o Prof. Cavaco Silva.
Como é natural, as faltas às aulas – obviamente às aulas da Universidade Nova – começaram a suceder-se a um ritmo cada vez mais intolerável para os órgãos directivos da Universidade.
A tal ponto que não restou outra alternativa ao Reitor da Universidade Nova, na ocasião o Prof. Alfredo de Sousa, que não instaurar ao Prof. Aníbal Cavaco Silva um processo disciplinar conducente ao seu despedimento por acumulação de faltas injustificadas.
Instruído o processo disciplinar na Universidade Nova, foi o mesmo devidamente encaminhado para o Ministério da Educação a quem, como é bom de ver, competia uma decisão definitiva sobre o assunto.
Na ocasião era ministro da Educação o Prof. João de Deus Pinheiro. Ora, o que é facto é que o processo disciplinar instaurado ao Prof. Aníbal Cavaco Silva, e que conduziria provavelmente ao seu despedimento do cargo de docente da Universidade Nova, foi andando aos tropeções, de serviço em serviço e de corredor em corredor, pelos confins do Ministério da Educação.
Até que, ninguém sabe bem como nem porquê… desapareceu sem deixar rasto… E até ao dia de hoje nunca mais apareceu.
Dos intervenientes desta história, com um final comprovadamente tão feliz, sabe-se que entretanto o Prof. Cavaco Silva foi nomeado Primeiro-ministro E sabe-se também que o Prof. João de Deus Pinheiro veio mais tarde a ser nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros de um dos Governos do Prof. Cavaco Silva, sem que tivesse constituído impedimento a tal nomeação o seu anterior desempenho, tido geralmente como medíocre, à frente do Ministério da Educação.
Do mesmo modo, o seu desempenho como ministro dos Negócios Estrangeiros, pejado de erros e sucessivas “gaffes”, a tal ponto de ser ultrapassado em competência e protagonismo por um dos seus jovens secretários de Estado, de nome José Manuel Durão Barroso, não constituiu impedimento para que o Primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva viesse mais tarde a guindar João de Deus Pinheiro para o cargo de Comissário Europeu.
De qualquer modo, e como é bom de ver, também não foi o desempenho do Prof. João de Deus Pinheiro como Comissário Europeu, sempre pejado de incidentes e críticas, e de quem se dizia que andava por Bruxelas a jogar golfe e pouco mais, que impediu mais tarde o Primeiro-ministro Cavaco Silva de o reconduzir no cargo.
A amizade é, de facto, uma coisa muito bonita…

13
Jan
11

O sangue da saúde

Os preços dos serviços das Autoridades de Saúde Pública (ASP) foram alterados e publicados em Diário da República, sofrendo actualizações radicais. As juntas médicas especiais – que atestam incapacidade ou deficiência – custavam 90 cêntimos, com os novos preços passam para 50 euros. Até agora, a todas as vacinas era aplicada uma taxa de 15 cêntimos que passa a ser de 100 euros  contra a febre amarela  e 50 para a febre tifóide ou raiva. Já a actualização do preço das vistorias relacionadas com a sanidade marítima e dos pareceres para os estabelecimentos comerciais passa de 6 para 100 ou 400 euros). A justificação é a de que estes preços não eram actualizados há 40 anos.

Até podia ser à oitenta anos, que se esta forma abrupta de subida de preços não devia ser permitida, muito menos numa altura de recessão em que os Portugueses se preparam para levar cortes nos salários e pensões, o desemprego vai continuar a aumentar assim como todos os impostos, (do IVA ao IRS, passando pelo IRC e o IMI, combustiveis, …..) vão continuar a subir. Um Serviço Nacional de Saúde que de tendencialmente gratuito, já tem muito pouco de gratuito e cada vez menos de tendencial.
Antes, quando iamos ao hospital, tiraram-nos sangue da veia, agora onde primeiro espetam a seringa é na carteira.




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