Arquivo de Julho, 2011



24
Jul
11

Um Imposto Extra e ordinário

A Assembleia da Republica recebeu o Ministro Vitor Gaspar e aprovou o imposto que “rouba” metade do 13ª mês aos 35% dos trabalhadores e aos 15% dos reformados que ainda ganham mais de 485 euros. Fá-lo não porque seja necessário tapar qualquer “desvio colossal”, mas simplesmente como precaução. (Tivemos sorte de ele não ser ainda mais previdente e não o ter “roubado” todo ou mesmo tirado mais algum do ordenado de Novembro ou de Dezembro, a justificação podia continuar a ser a mesma).
Votaram a favor deste “roubo” o PSD e o CDS e mesmo aí, alguns deputados mostraram reticências sobre a legalidade e constitucionalidade desta lei, mas como este governo parece estar disposto a passar por cima das regras e leis, mesmo as aprovadas pelos seus partidos, já nada me espanta. Quem elege malfeitores só pode mesmo esperar malfeitorias.Nem os portugueses necessitam de mais sacrificios e dificuldades que aquelas que já têm, nem a economia necessita de mais medidas recessivas. Assim as coisas só podem piorar ainda mais.

23
Jul
11

Shiva ou Dr. Octopus? ….ou ambos

António Nogueira Leite vai ser vice-presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos e ganhar mais de 20 mil euros por mês. O académico que foi conselheiro de Pedro Passos Coelho vai assumir funções executivas, ocupando o lugar de número dois do próximo presidente executivo do banco público.  Actualmente já é administrador executivo da CUF, da SEC, da José de Mello Saúde, da EFACEC Capital, da Comitur Imobiliária e administrador (não executivo) da Reditus, da Brisa e da Quimigal, presidente do Conselho Geral da OPEX, membro do Conselho Nacional da CMVM, vice-presidente do Conselho Consultivo do Banif Investment Bank, membro do Conselho Consultivo da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações e vogal da Direcção do IPRI. É membro do Conselho Nacional do PSD, desde 2010.

Os amigos começam a ocupar os bons lugares e, mesmo quando dizem que querem poupar e reduzir nas despesas, quando aumentam impostos, quando aumentam os transportes, a saúde e anunciam qua ainda agora começaram os sacrificios, não têm vergonha de aumentar o número de administradores da CGD de sete para onze. Há que haver lugares para todos e aos Barões não serve qualquer um. Têm de ser lugares de luxo e prestigio que são gente importante.


23
Jul
11

Ditadura do desemprego

Vem aí um terramoto liberal no mercado de trabalho. O governo aprovou em Conselho de Ministros o diploma que reduz as indemnizações por despedimento: é primeira medida para revolucionar o mercado laboral, um processo que será directamente conduzido pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.
O secretário de Estado do Emprego, Pedro Martins, considera que o desemprego não vai diminuir por via da recuperação económica e o executivo recusa deixar as coisas como estão. Pedro Martins terá mesmo dito que as reformas laborais “avançam com ou sem o acordo da concertação social” e terá informado os líderes sindicais que compreendia a sua oposição, às reformas, na medida em que elas representam uma perda de poder dos sindicatos.

Será esta a famosa “suspensão da democracia” proposta pela Manuela Ferreira leite e agora adoptada pelo Passos Coelho?
Já não basta aquilo a que chamam concertação social ser quase um pró-forma onde os governos, os patrões e a UGT têm feito aprovar todo o tipo de perda de direitos do trabalho para agora já nem se darem a esse trabalho e imporem a sua vontade à força?
Quando o próprio governo considera que o desemprego não vai diminuir por via da recuperação económica que esperança dão para aqueles a quem esta lei é uma condenação ao desemprego eterno.
Esta gente que não consegue colocar-se no lugar de quem sofre a desgraça do desemprego, de quem não tem a capacidade de compreender o sofrimento de quem vê os filhos com fome, não presta. Esta furia liberalizadora sem razão ou justificação não passa de gente mesquinha que não merece qualquer respeito. Não prestam.

22
Jul
11

Ele há filas e filas

Quem reparar bem vai notar que neste momento há duas grandes filas por aí.  A fila dos desempegados e a fila dos banqueiros para recorrer ao aval do estado e ir buscar dinheiro aos 35 mil milhões que lhes colocam à disposição. (Vai haver outras filas quando chegar a altura das privatizações, como por exemplo a da vergonhosa privatização das água). A dos desempregados representa a crise a miséria reais, a dos banqueiros a crise e a miséria alheias. Dos sacrifícios de que tantos nos falam, 78 mil milhões de dificuldades e perdas de direitos que nos cobram, 35 mil milhões são para financiar o negócio dos bancos. É dinheiro do Estados e de todos nós que é garantido aos bancos para que possam negociar e especular com eles, ficando os lucros se correr bem e passando o prejuízo se a coisa correr mal. Bom negócio.
Dizem que é necessário capitalizar os bancos para que eles possam financiar a economia. Não tem o Estado um banco público que devia servir os interesses do próprio Estado e de todos nós? Porque temos nós de financiar o lucro de bancos privados que sempre mostraram ter como único interesse o ganharem dinheiro a todo o custo, que ajudaram a endividar o país e os portugueses sem olharem a consequências mas só ao lucro? Porque não usa o banco público para garantir o financiamento à economia mais barato, mais justo e menos usurário?
Porque tenho eu de financiar o Sr. Ricardo Salgado? Porque tenho eu de dar lucro a esses senhores? Será porque quem toma as decisões, quem negoceia com a Troika, quem faz leis, quem as aplica, também têm interesses nesses bancos?
22
Jul
11

O tempo não tem andado nada bom

Um verão para esquecer
21
Jul
11

Chanceler do Conselho das Ordens Nacionais.

«O Presidente da República aprovou, esta segunda-feira, a nova composição dos três Conselhos das Ordens Honoríficas Portuguesas, cabendo a Manuela Ferreira Leite o lugar de Chanceler do Conselho das Ordens Nacionais.

O Cavaco dá-nos a todos o sentimento de segurança, o exemplo de como no meio da tormenta e da crise se pode viver num oásis de prosperidade e elegância.  Cá fora fala-se da redução do tamanho do estado, dos muitos institutos que não servem para nada, de serviços que não fazem falta e que é necessário extinguir. Até dos que fazem falta já falam. Lá dentro recebem-se convidados, amigos e até se nomeiam Chanceleres e Conselhos.
Já houve quem me dissesse que tem mesmo de ser assim, pois aquele é o último reduto, o símbolo da nossa independência como Nação, que a manutenção da tradição e do protocolo é que fazem o país ser aquilo que é. Acabei por concordar, é por isso que continuamos a ser aquilo que somos.

21
Jul
11

São Macário de à costa

 

O presidente da Câmara Municipal de Faro, Macário Correia, já não se opõe à introdução de portagens na Via do Infante e justificou a mudança de opinião com a situação das finanças públicas

Eu tenho em relação ao Macário Correia uma queixa, por causa dele lambi um cinzeiro e descobri que ele me tinha enganado, que lamber um cinzeiro não é a mesma coisa que beijar uma fumadora. Não é mesmo. A minha única satisfação é que ele também já deve ter lambido um ou nunca beijou uma fumadora. Mas isso são águas passadas e agora o Macário mostra a sua coerência quando de feroz opositor à colocação de portagens na Via do Infante, já o aceita sem resfolegar. Claro que há sempre a crise para justificar esta cambalhota, mas não estamos já na mesma crise em que estávamos no início do ano? O que mudou? O Primeiro Ministro e  a cor do partido de governo e as verdades de antes que passaram a ser as mentiras de hoje.

20
Jul
11

BPN- Uma história de sucesso

Não vale a pena estar a fazer aqui o Historial do BPN, das fraudes, dos crimes, dos implicados nem dos milhares de milhões que o Estado já lá enterrou. Vai agora a privatizar sem preço mínimo e ao que parece já há interessados. O Banco Angolano BIC é um deles e o seu Presidente, o Mira Amaral, sem revelar o preço (fala-se em 70 milhões de Euros), já veio dizer que iam concorrer e que pensavam fechar muitas agências e despedir trabalhadores, sem esquecer o nível de capitalização que o Estado tem de pôr no BPN para repôr os rácios de solvabilidade nos mínimos legais.
Ainda há bons negócios por aí.
20
Jul
11

Sem prós nem contras

 

Quem salva o Euro? Perguntava-se no Prós e Contras. Tirando o  castigador e “deslumbrado” João César das Neves, para quem tudo se vai resolver, foi ver uma série de confissões do falhanço da União Europeia e do sistema capitalista europeu para jogar no capitalismo global. Em cada intervenção um beco sem saída e foi ouvi-los a defender aquilo que ainda há poucos meses era considerado uma heresia e uma disparate tremendo. Renegociação, saída do Euro, saída da União Europeia, já são possibilidades a considerar pelos mesmos engravatados que antes o diabolizavam. É o capitalismo Europeu a estrebuchar.
Discutir alternativas, procurar novos caminhos que deixem de ver as pessoas como números e cifrões mas promovam uma maior igualdade e dignidade para todos, é uma emergência. Há outros caminhos e respostas, o que faltam são ouvidos e vontade para as escolher. Juntemos-nos com amigos, colegas, conhecidos e discutamos estes assuntos, procurando tirar conclusões, propostas que possam ser alternativas. Não nos resignemos aos tempos de miséria e pobreza a que nos querem condenar (para não falar de novo na desgraça do perigo de uma possível guerra).
 
19
Jul
11

O valor do Euro

Muito gosta este país de discussões estéreis só pelo prazer da discussão. O Cavaco, que não tem nada de útil para dizer, lembrou-se de defender a desvalorização do Euro como uma boa solução para os problemas do país. Claro que houve quem viesse logo dizer que era um tremendo disparate que bom é haver um Euro forte para logo outros saírem em apoio à ideia. Partidos, candidatos a líderes, economistas, políticos e comentadores já todos têm uma opinião. A questão é para quê discutir um assunto quando não está, nem vai estar, nas nossas mãos o valorizar ou desvalorizar o Euro. Quem manda no Euro são o donos da Europa, o BCE e os mercados e nós não temos sequer voz no assunto. Podemos discutir se Portugal deve estar dentro ou fora do Euro, se devemos pagar, renegociar, auditar ou não pagar a divida, se queremos ou não fazer parte desta União Europeia e, mesmo isso tenho dúvidas que nos permitam escolher. É que  há muito que a nossa soberania tem vindo a ser desbaratada e já pouco resta.

PS: Se o Sr.Silva quer desvalorizar alguma coisa, “desvalorize” o orçamento de 17 milhões de Euros do Palácio de Belém. Afinal é ele que defende que sacrifícios têm de ser para todos.

19
Jul
11

Fenomenologia do ser Passos Coelho

Numa entrevista a uma revista francesa Passos Coelho tentou vender a imagem de um grande gestor de enorme cultura, tão culto, tão filosofo que até leu Kafka muito depois da ‘Fenomenologia do Ser”, de Sartre. E Voltaire mais cedo do que Eça”. Só que, se há coisa em que não se deve fazer é querer mostrar cultura que não se tem. Rapidamente foge o pé e cai-se no ridículo. Mas, honra que seja feita que conseguiu ler um livro do Sartre que este nunca escreveu. O Pacheco Pereira já o desancou escrevendo que Não existe nenhuma ‘Fenomenologia do Ser’ de Sartre. Passos Coelho, em mais uma entrevista do nada, resolveu atribuir-se uma biografia do nada”. “Fenomenologias só conheço as de Hegel e de Husserl”. “A mania para mostrar cultura dá como resultado o ‘Concerto para Violino’ de Chopin e as mesas de cabeceira cheias de Eça”. “Esta mania de querer parecer culto traduz um problema de carácter”. Passos “é um produto de marketing, como Sócrates”, concluiu. 
Os defeitos estão lá todos só que menos inteligente que o seu antecessor, digo eu.
18
Jul
11

A guerra das Rosas (sem picos)

A luta pelo poder no Partido Socialista tem sido de uma pobreza franciscana de um lado e seguramente uma nulidade do outro. Não lhe consigo encontrar interesse nenhum e só a ideia do boneco me levou a fazer um post sobre o assunto. Em primeiro lugar porque é irrelevante quem lidere o PS nesta fase do campeonato em que todos estão empenhados em cumprir com o acordado com a Troika. Em segundo porque sendo o PS o vejo como alternativa de mudança social, nem ao sistema de lógica de mercados instalado. Em terceiro lugar porque não dizem sequer algo que seja motivador para nada. Zero ideias em zero propostas na nulidade dos candidatos.
18
Jul
11

Requiem final

EM EXIBIÇÃO

17
Jul
11

A Sra do MAMAOT e as gravatas

A partir de amanhã, os funcionários do  Ministério da  Agricultura, Mar,  Ambiente e Ordenamento do Território – MAMAOT – estão dispensados de usar gravata.  A ordem dada pela ministra Assunção Cristas insere-se numa iniciativa denominada “Ar Cool”.
No primeiro comunicado enviado a todas as redações, o MAMAOT explica que o objetivo é “minimizar o impacto ambiental associado ao consumo de energia elétrica na Administração Pública, tendo em conta as medidas de contenção de despesas”. Uma indumentária informal permitirá maior conforto para os Secretários de Estado e todos os funcionários, já que a temperatura ambiente dos edifícios do ministério ficará nos 25 graus, entre 1 de junho e 30 de setembro.

Eu que nunca gostei de gravatas só posso apoiar a medida, mas não posso deixar de considerar estranho que ao fim de um mês de governação um ministro que tem à sua responsabilidade a Agricultura, o Mar, o Ambiente e o Ordenamento do Território tenha como primeira medida o dispensar os funcionários de usar gravata entre 1 Junho e 30 Setembro. Já agora podia também poupar na tinta necessária para imprimir o nome do ministério; Ministério da  Agricultura, Mar,  Ambiente e Ordenamento do Território, para não falar de passar a ser conhecida pela Sra. Ministra do MAMAOT. (Podia ao menos retirar a parte do Ordenamento do território para se adequar mais à personagem).

17
Jul
11

A satisfação do Gaspar

Ouvi pela primeira vez o “Álvaro”  falar. Fiquei a saber do “transtorno” que lhe dá a esperança de vida ter passado dos 65 anos no inicio do século XX para setenta e muitos do inicio deste, mas também da satisfação como anunciou que mais de 80% dos reformados e mais de 50% dos trabalhadores no activo não vão ser atingidos pelo novo imposto, o que na prática quer dizer que toda essa gente vive com menos de 475 euros mensais, ou seja com grandes dificuldades financeiras. Também fiquei a saber que, como as mais valias bolsistas, os juros e, como sempre, os que fogem ao fisco não vão ser afectados, quem irá pagar a crise, mais uma vez, serão os mesmos de sempre.



Indignados Lisboa

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