Arquivo de 9 de Agosto, 2011

09
Ago
11

Memórias de uma época execrável

«Os pobrezinhos

    – Batem à porta. Meu filho, vai ver quem é.
– É um pobre, minha mãe, um pobrezinho a pedir esmola.
A mãe veio logo com um prato de sopa e deu-o ao pobre. Depois, voltou para a sala de costura e deixou o filho a fazer companhia ao mendigo. Este, quando acabou de comer, disse por despedida:
– Deus faça bem a quem bem faz!
O menino ficou comovido: – Que pena tive do pobrezinho!
– E é caso para isso, respondeu a mãe. Os pobres são nossos irmãos. Devemos fazer-lhes todo o bem que pudermos. Jesus ensinou que até um copo de água, dado aos pobres por caridade, terá grande prémio no céu.»

«A cantina escolar

    – Gostei tanto de ir hoje à escola, minha mãe! A senhora professora estava muito contente, porque inaugurou uma cantina, onde os meninos pobres podem almoçar de graça. Se visse, Mãezinha! As mesas muito asseadas, os pratos branquinhos, jarras floridas e tudo tão alegre!
A sopa cheirava que era um regalo; e todos nós estávamos satisfeitos, ao ver os pobrezinhos matar a fome.
O filho do carpinteiro, a quem eu às vezes dava da minha merenda, de vez em quando ria-se para nós, como que a dizer:
– Está óptima, a sopinha!
Perguntei à senhora professora quem tinha feito tanto bem à nossa escola e ela respondeu-me:
– Foi o Estado Novo que gosta muito das crianças e para elas tem mandado fazer escolas e cantinas, creches e parques. Mas as famílias que possam também devem ajudar. Não te esqueças de o dizer à tua mãe.»

«Respeitai as autoridades

    O pai é a autoridade na família. Os filhos são obrigados a ter-lhe amor, respeito e obediência. O professor é a autoridade na escola. Todos os meninos devem obedecer às suas ordens e estar com atenção às suas lições.
É Deus quem nos manda respeitar os superiores e obedecer às autoridades.»

Retirado do Livro da 1ª Classe no tempo do “Botas” e do Cabeça de Abóbera”.

Quando vejo a forma como esta gente se propôe tratar a pobreza ainda vejo reeditados este livro no programa escolar.

09
Ago
11

Nem suaves nem rápidos…colossais

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, assumiu hoje que os sacrifícios exigidos aos portugueses não serão suaves nem os resultados serão rápidos, numa mensagem publicada no Facebook antes de partir de férias com a família.Já avisou está avisado, vou de férias e venho já. O homem tem pela frente, muitas encomendas dos “mercados” para cumprir, muito “estado” para destruir e nós colossais sacrificios para fazer. Que deverá pensar o Sr. Silva de férias na Coelha, desta vez sem jipes carregados de documentos, como no tempo do “engenheiro” de Vilar de Massada, que afirmava não ser possível exigir mais sacrificios aos Portuguese, também no tempo do mesmo “engenheiro” e agora já culpa os mercados, que considerava sagrados no tempo do tal “engenheiro” e fala da crise internacional que desconhecia no tempo do dito “engenheiro”.
E o que devemos pensar nós sobre aquilo que nos destinam estes Senhores? Estar preparados e submissos, aceitando-o como o nosso “fado”?




Indignados Lisboa

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