Arquivo de 5 de Novembro, 2011

05
Nov
11

As mãos que embalam o berço da Democracia

De quando em vez, a verdadeira face desta farsa que é a democracia desta gente cai. Caiu por ocasião do Tratado de Lisboa e voltou a cair agora com a proposta de referendo, por mais hipocrita e oportunista que fosse, do Primeiro-Ministro Grego. Tantas foram as pressões e tanta a falta de vergonha desta gente que o próprio acabou de desistir dela mesmo depois de dizer que não prescindiria de dar a palavra ao povo grego. A Merkel e o Sarkozy, a quem ninguém passou procuração, reúnem-se e  telefonam-se para decidir o que todos os outros têm de fazer. Os outros países da chamada União não têm opinião e os seus povos só têm de calar e comer. Esta é a verdadeira e actual Democracia Europeia, em que os dirigentes têm medo dos seus próprios cidadãos.
05
Nov
11

É por debaixo do pano

Foram 68 votos a favor, 28 contra e duas abstenções. Os socialistas têm assim já definida a votação até na votação final global. Ou seja, abstêm-se mesmo que a maioria de direita não incorpore na proposta de Orçamento qualquer das alterações que venham a ser defendidas pelo seu grupo parlamentar. Seguro propusera a abstenção invocando o interesse e credibilidade do país, embora rejeitando qualquer responsabilidade na futura execução do OE.

O que a gente faz
É por debaixo dos pano
Prá ninguém saber
É por debaixo dos pano
Se eu ganho mais
É por debaixo dos pano
Prá ninguém saber
É por debaixo dos pano
O que a gente faz

É debaixo dos pano
Que a gente
Entra pelo cano
Sem ninguém ver..


Será um homem? Será um político? Será uma lesma? Não é uma ameba. Infelizmente não posso dizer ao Seguro que por não votar contra este Orçamento vou deixar de votar no PS, pois já não o faria de qualquer maneira, mas para os seus eleitores é uma vergonha e uma cobardia. Incondicionalmente, preferiu esconder-se debaixo da capa da abstenção, aceitando que os portugueses  sofram a brutalidade deste orçamento, lavando as mãos como Pilatos. Para o grande capital que se banqueteia com os nossos juros, que vai comprar as boas empresas públicas por tuta-e-meia convêm que, num momento em que um governo tira direitos  e salários, promovendo a pobreza e a subserviência no trabalho e na vida, o líder da oposição seja um incapaz sem qualidade para que muitos não o vejam como alternativa ao poder. Sem uma urna para podermos dizer o que pensamos deste orçamento e destas políticas saídas de enormes mentiras eleitorais,  que alternativas nos restam. Só na rua podemos expressar a nossa vontade e mais exigi-la. A bater tachos à porta da Assembleia no dia 11.11.11 às 11.11, a participar na greve geral no dia 24 ou a ir para a rua participar em Assembleias, debates de ideias, trocas de experiências exigindo uma nova forma de democracia e novos caminhos para o país. Eu, já deixei o meu sossego e o meu sofá, abdicando das horas de descanso e não há dia em que não aproveite esse tempo para ir a reuniões do 15.O, assembleias de Indignados, encontros de construção de novas alternativas,  colar cartazes ou partilhar informação. Só nós, todos e unidos podemos, ocupando a rua que é nossa fazer a mudança. Está a acontecer um pouco por todo o mundo, mais mediática e visível no “Ocupy Wall Street” que se estende por toda a América, mas também em milhares de cidades em centenas de países. Está a acontecer cá, muita gente é que ainda não o percebeu.




Indignados Lisboa
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