Arquivo de 27 de Dezembro, 2011

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Dez
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MMXII Um ano agoirado

Ainda não entrámos no novo ano, mas este já vai nascer torto. Não sou de acreditar em profecias nem em destinos traçados. Acredito mais em ciclos, em que causas idênticas possam gerar problemas idênticos e muitas vezes soluções também idênticas repetidamente. A verdade é que quem disse que 2012 seria o ano das desgraças parece ter acertado. Vem aí um ano com muito mau aspecto.

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Informação e democracia

Recentemente participei numa conversa sobre novas alternativas para uma nova democracia, no Regueirão dos Anjos, organizada pelos Indignados de Lisboa. Se em comum a todos há um desejo evidente de uma democracia mais participativa  e todos sabem qual o objectivo final, existe também a urgência de escolher o caminho e a melhor forma de o alcançar. Não vou aqui relatar as alternativas apontadas, as opiniões e as ideias debatidas, até porque foram muitas. Prefiro falar um pouco das razões que nos levam a essa urgência que penso serem principalmente duas. A primeira e mais lógica, as razões económicas criadas pela globalização capitalista, a subserviência do poder politico aos mercados especulativos e a sua voracidade e ganancia, sem respeito pela dignidade das pessoas nem remorsos pela pobreza, miséria e morte que causem. Um retrocesso civilizacional, nas condições de vida, dos direitos e da própria liberdade. A segunda vem das do surgimento dos computadores, da era da comunicação global e nas consequências que isso teve, não só do ponto de vista técnico e da possibilidade da comunicação e partilha da informação, como na nossa própria forma de pensar e raciocinar. Hoje temos uma forma diferente de apreender a realidade, de aceder ao conhecimento que faz com que a democracia que serviu aos nossos avós hoje e insuficiente. Hoje temos o desejo e a possibilidade de conseguir um avanço no conceito de democracia e de participação nas decisões e escolhas para a nossa vida. Por todo o mundo esta vontade surge e manifesta-se, com indignação pelas injustiças e roubos, exigindo a mudança. O mundo mudou, mas também nós mudámos e é isso que o poder teme. É esse medo que a cada grito por mais democracia eles reagem com menos liberdade e mais autoritarismo. A própria democracia que os serviu e de que se serviram para serem hoje poder, começa a ser incomoda porque não cala o protesto e a indignação, cada vez mais global e forte. Novas ditaduras ou uma ditadura global são um dos perigos que temos pela frente, mas também novas democracias, um mundo ligado nas preocupações e nas soluções, na solidariedade entre todos também está à nossa frente. Não podemos por isso ter medo e não exigir essa nova democracia, mais participativa, justa e livre.



Indignados Lisboa
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