18
Jan
12

Economia. Se são pararelas nunca se vão encontrar

Em 2009, quando o índice foi apresentado pela primeira vez, a economia paralela representava 24,2% do Produto Interno Bruto (PIB) português. Um ano depois, em 2010, a economia não registada, como prefere chamar-lhe o seu autor, cresceu 2,5%, o que faz subir o peso para 24,8%. Em Valor a economia paralela representou 42,7 mil milhões de euros. Em 2011, a barreira dos 25% do PIB vai seguramente ser ultrapassada, dado que os factores que a fizeram crescer em 2010 se agravaram no ano passado. Entre esses factores está o aumento de impostos e da taxa de desemprego.

O problema é reconhecido, as razões conhecidas e as soluções são atiradas para a fiscalização e punição que, como já se viu não surte efeito. Se é reconhecido que as causas são o aumento dos impostos e ainda os aumentam mais e o desemprego que é facilitado, estão a combater o fogo com gasolina. Dizem-nos que se todos pagassem o que é devido, todos pagaríamos menos, mas o que não vemos é que o dinheiro recolhido seja aplicado em nosso beneficio, mas sim daqueles que mais têm e que mais fogem ao seu pagamento. Será a Senhora da Mercearia que não passa factura de um quilo de batatas é mais culpada que o Mega Merceeiro que transfere a sede fiscal para a Holanda. Quem utiliza as offshores? São os que ganham mil euros ou os que têm milhões?
Não vou exigir factura na tasca nem apontar o dedo nas lojas locais, algumas mais velhas que eu e com quem cresci. Muitos dos que lá trabalham jogaram à bola e brincaram comigo. Mas, sendo no meu bairro, ou no Porto ou em Faro não são esses os que lixam a vida da grande maioria de nós. Esses são os que tentam resistir, muitas vezes por não terem alternativas, aos grande tubarões da distribuição, que não se cubem de utilizar todos os truques, até a vender abaixo de preço a que compraram para os destruir. Até a utilização de produtos que produzimos ou fabricamos, o simples comer as couves do nosso quintal é economia paralela. Devíamos pagar os 23% do IVA.
E assim alegremente lá vamos nós de crise em crise, de buraco em buraco, de sacrifício em sacrifício enquanto os direitos são destruídos simplesmente porque os Mercados assim o exigem.


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