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O Guardião da Lingua oficial do CCB


Contrariando a prática adoptada desde Setembro de 2011 pelo governo, o novo presidente do Centro Cultural de Belém, Vasco Graça Moura, ordenou aos serviços internos que não apliquem mais o Acordo Ortográfico. A decisão foi dada a conhecer através de uma circular interna e engloba a desinstalação do software que tem vindo a ser usado para converter automaticamente a grafia dos textos, em conformidade com as regras do Acordo Ortográfico.


O governo deu razão a Vasco Graça Moura e não pode fazer nada para alterar a decisão do novo presidente do Centro Cultural de Belém em não aplicar o novo acordo ortográfico, de acordo com o jornal i. Isto porque, o CCB como «instituição de direito privado, não está sob administração directa ou indirecta» do governo.

Embora concorde que o novo acordo ortográfico é um aborto que vai contra a natural evolução da língua, não posso estranhar que este país tenha tantos outros paísesinhos no seu interior. É o Banco de Portugal que assim evita a austeridade e agora as “instituições de direito privado”, seja lá o que isso for, que podem não cumprir com ordens emanadas do governo. Isto tendo sido o Vasco Graça Moura recentemente nomeado  por esse mesmo governo.


5 Responses to “O Guardião da Lingua oficial do CCB”


  1. 1 António Mata
    Fevereiro 7, 2012 às 18:03

    Quando fala em “aborto” no que respeita à “natural evolução da língua” gostaria de saber o que em relação a uma qualquer língua é natural ou contranatural. Quanto ao resto, admiro o poeta, mas tenho erupções cutâneas quanto às suas outra aptidões. Respeitosamente, A.M.

  2. 2 Kaos
    Fevereiro 7, 2012 às 20:30

    Uma lingua, como tudo o resto, é sujeita às alterações que quem a fala lhe vai introduzindo. No sec xiii o portugues era difrente daquilo que é hoje e os nossos avós ainda escreviam pharmácia. Aquilo a que chamo de aborto são alterações feitas por decreto e que não respeitam o natural desenvolvimento dessa lingua. Quanto ao poeta e às suas outras apetidões concordo totalmente.
    kaos

  3. 3 António Mata
    Fevereiro 8, 2012 às 11:02

    Longe de mim a ideia de me tornar tão fundamentalista na defesa do acordo ortográfico como Graça Moura na ofensiva ao mesmo. Se é verdade que a língua se vai alterando oralmente, chega uma altura em que é preciso registar as normas da escrita. Se por exemplo o meu avô escrevia pharmácia e sobre a porta do boticário ainda se mantinha essa grafia, não é menos verdade que eu apanharia um bolo em cada mão com a menina de cinco olhos se a grafasse desse modo. Será que o acordo ortográfico de 1945 não foi decretado? Ou não deveria ter sido? Como se deveria então proceder para acordar ortograficamente as variações introduzidas pelos falantes?
    Perdão pela insistência.
    A.M.

  4. 4 Kaos
    Fevereiro 8, 2012 às 13:32

    Não sou linguista, mas as alterações que a lingua vai sofrendo naturalmente acabam por ser adoptadas e passadas para a gramaática e dicionários. Basta ver a quantidade de palavras que recentemente entraram no nosso lexico e já fazem parte dos novos dicionários. O que se passa com este acordo ortográfico é que impôe alterações à força sem deixar que seja a própria lingua a naturalmente as atingir. Um bom exemplo é Egito a que cai o p e egipsio onde ele se mantem. Quem desejar ir à raiz da palavra vai ficar confuso porque a lógica é deturpada.
    um abraço
    kaos


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