Arquivo de 5 de Maio, 2012

05
Maio
12

O Nacional-Solidarismo

A discursar em Cascais, numa conferência, o presidente da Comissão Europeu, Durão Barroso, revelou o recado que trazia na bagagem. “Portugal enfrenta desafios que não são fáceis. Contudo, os portugueses sabem que não há alternativas à resposta que se está a dar”, lembrando que não existe um plano b: o único caminho é apoiar as medidas do memorando e pôr travão nas divergências.
Para Durão Barroso, se não houver consenso em Portugal, por parte dos diversos agentes políticos, tendo em vista a aplicação das reformas de que o país necessita, mais difícil será obter solidariedade dos parceiros da União Europeia.
O presidente da Comissão Europeia entende que “quanto maior for o consenso nacional, mais será evidente a solidariedade dos parceiros europeus”. Nesse sentido, defende, o programa de apoio está dependente de união, numa altura em que surgem sinais de ruptura e com o PS a distanciar-se das políticas do Governo.


Resumindo, não há alternativa, não há plano b e ou assinamos os tratados que querem fazemos o que a Troika manda, comemos e calamos e nem mesmo os usuais partidos de alterne do poder podem sequer manifestar desconforto, impondo uma união à força. Este é o discurso de um cara de cherne que fugiu do governo para ocupar um tacho de subserviente marioneta como Presidente da Comissão Europeia. É o discurso de quem dizia que estando no Centro do Poder podia ajudar mais os portugueses. Esta é a Europa, que dizem ser uma União, de que fazemos parte.

05
Maio
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A teia da realidade

A execução orçamental do primeiro trimestre deste ano é pior que a do mesmo período do ano passado, mesmo retirando o efeito de factores extraordinários. A conclusão é da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), que publicou o relatório de análise à execução orçamental.

O défice do Estado atingiu 1.637 milhões de euros nos primeiros três meses do ano, um agravamento de 745 milhões face ao período homólogo. No entanto, frisa, “excluindo os factores específicos, o saldo global do Estado registaria uma deterioração de 252 milhões de euros em termos homólogos, ficando aquém da melhoria implícita do OER/2012 [orçamento rectificativo]”. A UTAO nota ainda que o défice das administrações públicas também se deteriorou “significativamente” em termos homólogos. No caso do saldo primário, frisa, a diminuição de 474 milhões “contrasta com o aumento de quase dois mil milhões que se encontra implícito no OER/2012”.

Bem podem andar os ministros e até o Presidente numa campanha de propaganda barata a anunciar luzes no fim do túnel que a realidade se vai encarregar de demonstrar que as politicas de austeridade e de empobrecimento ainda vão condenar mais o país e o seu futuro. É que os ministros podem mentir, (e todos sabemos que mentem muito), até podem aldrabar nos números nas previsões no Orçamento de Estado, mas a realidade acaba sempre por trazer ao de cima a verdade.
Destruindo a economia, baixando os salários e promovendo o desemprego, inevitavelmente acaba por destruir empresas e reduzir o consumo o que faz o estado cobrar menos impostos, seja no IRC, IRS ou IVA, o que por sua vez faz aumentar o défice. Podem ir disfarçando e adiando mas, mais cedo ou mais tarde, lá terão de  inventar um buraco ou um agravamento da crise internacional para encobrir a realidade. Agora cabe a cada um de nós fingir ou querer acreditar nessa canalhada ou fazer alguma coisa para correr com ela. Para mim a escolha parece evidente.

 




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