Arquivo de 29 de Setembro, 2012

29
Set
12

Racionar a vida

No parecer solicitado pelo Ministério da Saúde o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida defende que o racionamento de tratamentos é legítimo e deve ser feito depois de ouvidos os médicos, os gestores e os doentes. Em entrevista à Antena 1, Miguel Oliveira da Silva, presidente deste órgão consultivo, afirma que “não só é legítimo como, mais do que isso, desejável”.  “Vivemos numa sociedade em que, independentemente das restrições orçamentais, não é possível, em termos de cuidados de saúde, todos terem acesso a tudo“, diz.”Será que mais dois meses de vida, independentemente dessa qualidade de vida, justifica uma terapêutica de 50 mil, 100 mil ou 200 mil euros? Tudo isso tem de ser muito transparente e muito claro, envolvendo todos os interessados”, sustenta.

Já há algum tempo num debate a Manuela Ferreira Leite e o empregado do grande merceeiro, o António Barreto tinham questionado se valeria a pena pagar os tratamentos mais caros a que quem tivesse mais de 70 anos. Esta gente só pensa em números e colocam-nos acima das pessoas. Agora é um Conselho que se diz da ética da vida que quer racionar os tratamentos dizendo que não podem ser para todos. Sorteia-se ou escolhe-se pela cor do cartão do Partido? Já agora, para as finanças mais vale dar logo uma injecção atrás da orelha a quem atinja a idade da reforma que passam a ser gente que só dá despesa.
Mas, por mais indignados que possamos ficar com esta corja toda até pode ter uma vantagem é que um dia não teremos tantos escrúpulos na forma de os corrermos a pontapé.

 

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29
Set
12

Um País das Maravilhas e de culpados

Vivemos no País das Maravilhas, em que temos todas as culpas da merda que os outros fizeram, que temos de pagar o que os outros roubaram, em que um dia estamos a ser transportados por bons ventos e no outro já naufragamos no temporal dos Mercados. Certo é que mesmo que tudo corra mal, que os números se oponham aos discursos percorremos a rota da inevitabilidade imposta pelos outros, entre luzes ao fim do túnel e a miragem que elas representam. Somos todos os dias vitimas das mentiras e dos enganos, da ganancia de alguns e da voracidade de outros. Ontem eram tantas as noticias que nem consegui escolher uma para fazer o boneco. Da salivação dos banqueiros perante a possibilidade da privatização da CGD, à condenação à morte proposta pela Comissão de Ética e da Vida para quem custe demasiado caro ao Estado em relação à sua esperança de vida, ao aumento do IRS, cortes em subsídios, excepções à austeridade para alguns e o desespero para outros, passando pelo aumento da segurança particular dos Ministros ou à violência policial em Espanha. Estas foram algumas que me lembrei assim de repente de uma lista que não tem fim de malfeitorias e de enganos. Fica tudo melhor dito quando no fim ainda ouvimos o incapaz do Passos Coelho atirar as culpas de um futuro sem esperança para as costas de quem tudo tem suportado. «O primeiro-ministro dramatizou hoje a importância da disponibilidade dos portugueses para prosseguirem o “esforço de ajustamento” da economia portuguesa, afirmando que “se isto vai tudo correr bem ou tudo correr mal” depende muito da vontade colectiva.» Mais dia menos dia ainda vamos ser acusados de que toda a falência a que vamos chegar, bem pior que aquela em que já estamos mergulhados, é nossa e não deles. Puta que os pariu a todos que a culpa só será nossa se não tivermos a coragem de correr com esta escumalha toda de vez e assumirmos o nosso futuro nas nossas mãos.




Indignados Lisboa

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