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Nov
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Desespero ou esperança?

 

Quando olho para este país e procuro respostas para o futuro que nos espera não posso deixar de sentir algum desespero. No actual sistema de alterne governativo não se encontram as respostas que nos possam dar esperança e as alternativas satélites também não nos dão a confiança que necessitamos. Não dão porque o mal está na própria forma como vivemos a democracia, um sistema já caduco e pouco adaptado aos tempos que vivemos. Há escolhas muito importantes a fazer e o sistema coloca essas decisões nas mãos de quem vive e se alimenta do próprio sistema e por isso não se atreve a colocá-lo em causa. Necessitamos de recriar a democracia, uma democracia mais participativa e mais directa mas isso exigia a participação e o empenho de todos. Criar alternativas ao actual sistema não é só uma necessidade como é urgente. Vivemos tempos de mentiras, tempos em que nos procuram assustar para evitar que possamos escolher outro caminho. São gente vendida ao grande capital, ao grande poder económicos, aos mercados e aos interesses de alguns. Mentem, enganam, aldrabam. Não há um debate livre e honesto sobre as alternativas possíveis. Ai que desgraças que nos vão acontecer se impusermos as nossas regras para pagar a dívida, ai o horror de não pagar, ai a desgraça de fazer zangar os mercados, ai o fim do mundo que seria sairmos do euro, ai isto, ai aquilo. Talvez haja justificações para todos esses ais se continuarmos a pensar e a agir como fazemos, Talvez cada um desses ais seja um verdadeiro ai quando visto isolado , mas deixe de o ser se for pensado em conjunto com uma decidida e verdadeira escolha de mudança por todos. Há tanta maneira de fazer as coisas porque temos de acreditar na inevitabilidade que nos impõem?
Quando olho para este país e procuro respostas para o futuro que nos espera não posso deixar de sentir alguma esperança. Quero acreditar que nós, gente desta terra, de Espanha, da Grécia, da Itália, da França, gente de todo o lado há-de encontrar saídas e soluções. Na vida há sempre escolhas a fazer e todas têm sempre coisas boas mas também consequências não tão boas. Escolher aquelas que minorem essas consequências e que nos permitam uma maior justiça e dignidade parece ser a melhor opção. Vamos ficar sentados e deixar que nada mude e que a miséria se espalhe como uma praga? Não vamos fazer nada?
Eu não me conformo, não me calo e não vou aceitar que seja o sofá a ganhar a batalha. Vou continuar a sair, a reunir-me com outros que como eu não desistem, a ultrapassar o desanimo quando vemos tantos a baixarem os braços, a lutar e a procurar alternativas. Sei que não será ainda hoje que as coisas vão mudar, que vou ter de ter a paciencia de esperar, mas também sei que um dia as coisas terão de mudar. Só espero ainda cá estar para viver esse dia.

PS: Ia fazer este post para dizer que só acreditaria neste Partido Socialista quando visse um seu líder a chorar sobre a pobreza, a miséria e a desgraça a que tinha permitido que este país chegasse, mas depois lembrei-me que há por aí tanta lágrima de crocodilo que nem nelas poderia acreditar.

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