18
Jan
13

Homenagem ao hipócrita

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Esta devia e era uma estátua de homenagem aos emigrantes e que relata uma época trágica da vida de Portugal, em que muitos tiveram de abandonar as suas aldeias, deixar as suas terras e famílias para partirem em busca de sustento em terras estrangeiras. Ainda me lembro dos bidonville em França e da forma como os portugueses que emigraram eram tratados como cidadãos de segunda. Como aconteceu primeiro com os Cabo-verdianos e mais recentemente com os imigrantes de leste, viviam quase sem condições e poupando tudo o que podiam para enviar todas as suas poupanças para ajudar as suas famílias que por cá ficavam. Era aliás uma das políticas do “Botas” que paralelamente ao turismo, tinha no dinheiro enviado pelos emigrantes a forma de conseguir divisas estrangeiras.
Hoje, e não só por conselho do aldrabão Passos Coelho mas também por não existirem condições de trabalho e por o país estar a ser pilhado por esta cambada de gatunos, muitos outros têm de seguir o mesmo caminho. Já não uma emigração de analfabetos e desgraçados, mas uma de gente qualificada, gente educada nas escolas que Abril criou, gente que muito tinha para dar a este país. Emigrem, disse o aldrabão do Passos Coelho há um ano e muitos milhares tiveram e continuam a ter de o fazer. Hoje soube-se que a emigração aumentou 85% em relação ao ano anterior, um aumento que mostra bem o estado a que chegámos. Tantos anos a falar-se das baixas qualificações dos nossos trabalhadores e justificando assim os baixos salários, tantos milhões investidos na qualificação dos nossos jovens para depois os obrigar a abandonarem o seu pais em busca de um trabalho e de um salário digno. Hoje o mentiroso do Passos Coelho veio dizer que nunca mandou os nossos jovens emigrar mas que compreende que muitos o façam em busca de melhores condições. Aldrabão, trampolineiro, mentiroso. Estes bandalhos estão a destruir o país, estão a permitir o saque de tudo o que temos e reconstruir um país de pobreza e miséria que tinha pensado fazer parte do passado negro do Salazarismo. Vivi nesse tempo e Portugal era um país cinzento e triste, vi a alegria desabrochar e florir num país que ganhou cor naquela manha de Abril e nunca pensei ver morrer tudo e tudo voltar a ser cinzento e triste. Será que vamos todos fugir e desistir? Eu não e não me calarei enquanto puder falar, não desistirei enquanto houver por ai um cravo vermelho mesmo que murcho e não hesitarei em colocar o meu braço e a minha força ao lado de todos os que quiserem lutar contra este estado de coisas e esta corja que o propaga. Esse é o meu compromisso com todos os que aqui vierem e lerem estas linhas.


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