Ia escrever aqui alguma coisa sobre o Bloco de Esquerda mas depois de fazer o boneco perdi a vontade. Realmente não vale a pena perder tempo. Esperemos é que tenham aprendido alguma coisa, coisa que duvido, e deixem de joguinhos e de serem capazes de assumir o que são e o que querem. Aprendam ao menos qualquer coisa com o PC e assumam quem são. Domina a CGTP e não o esconde quando a usa, cria movimentos de mulheres, pela paz, por tudo o que se lembram mas todos sabem as suas ligações partidárias. Façam o mesmo e deixem os movimentos sociais que já se debatem com tantas dificuldades da falta de mobilização deste povo e que não necessitam de ter essa dificuldade acrescida de um partido meter-se no meio. Deixem de fazer o papel de serem tão tão submissos ao sistema e contestem-no em palavras e acções. Confrontem-no abertamente sem quererem ter um pé em cada lado. Assim não são carne em peixe e ninguém gosta de engolir essa mistela. Assinem o que fazem e façam o que devem ou então um dia destes nem para lhes fazer um boneco servem.
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Bloqueio de Esquerda
Mais uma manha paralamentar
Hoje de manha passei em frente a uma televisão que transmitia em directo mais um debate parlamentar com a presença de Sua Exª o Aldrabão Passos Coelho. Nada disto é novo, 230 deputados, alguns membros do governo, um monte de funcionários, jornalistas, técnicos, policias e sei lá que mais numa perda de tempo para saloio ver. Não seio o que disseram, imagino que o PCP e o BE criticaram fortemente o governo e ouviram como resposta que o que dizem não serve para nada, o PS criticou e pôs-se em bicos dos pés afirmando-se como possível alternativa, o PSD e o CDS criticaram o PS por não apresentar propostas e o Passos Coelho fez o seu auto-elogio, acenando com a inevitabilidade das medidas e pintando o futuro deste país com as mais lindas cores do mundo. Nada de novo, nada de construtivo e certamente que ao fim de todas aquelas horas o que dali saiu não criou um emprego, nem impediu a perda de muitos, não melhorou as condições de vida de ninguém, não impediu nenhum disparate do governo nem mudou nada de nada. Nada, zero, um exercício de retórica inócuo, um teatro paralamentar sem interesse algum.
Este governo continua a governar como quer e lhe apetece não respeitando nada nem ninguém, sejam as oposições, a Constituição, as leis ou os cidadãos, cria miséria, fome, desemprego, destruição da economia, perda de direitos e até a morte de alguns sem uma hesitação ou um qualquer sinal de preocupação. Perante isto as oposições nada mais fazem que alguns protestos de ocasião, mais preocupadas com as próximas eleições que com o país real. Mas podem fazer mais e por isso reitero aqui a minha proposta a todos os deputados que não queiram pactuar com o que está a acontecer, que queiram evitar a tragédia, a que já vivemos e a que se aproxima com a destruição do Estado Social, a de que abandonem o Parlamento, saiam, recusem-se a colaborar ou dar cobertura “democrática” ao que está a acontecer. Saiam do Parlamento, não participem e atirem com uma pedra ao charco politico em que vivemos. Algo teria de acontecer, a democracia teria de dar uma resposta e este governo perderia toda a legitimidade (que há muito não tem mas que o jogo politico vai disfarçando). Abandonem o Parlamento e juntem-se àqueles que cá fora protestam e exigem mais democracia, mais directa, mais participativa e mais justa. Não aceitem ser parte do sistema dando-lhe cobertura, saiam do parlamento e façam parte da mudança. Os cidadãos estarão na rua à vossa espera de braços abertos se o fizerem.
A União da Esquerda
O Bloco tem nova liderança
A três meses da convenção e 13 anos depois da sua fundação, o BE prepara-se para renovar o núcleo dirigente e trazer para a primeira linha os dois deputados eleitos pelo Porto: João Semedo e Catarina Martins. Em declarações ao PÚBLICO, Louçã assumiu esta hipótese, classificando-a como “de grande consenso”, que une “a capacidade de diálogo” do médico Semedo e “a renovação geracional” da actriz Catarina Martins. Explicou que uma liderança bicéfala é mais indicativa do trabalho colectivo e, ao contemplar um homem e uma mulher, representa “a sociedade tal como ela é no século XXI”.»
Sempre será uma alteração esta de uma liderança bicéfala após uma liderança que tantas vezes foi acéfala.
Sem oposição no calr do Verão
PS, PCP e Bloco de Esquerda chumbam o discurso de Passos Coelho. Os socialistas acusam o Governo de tomar uma única medida para o crescimento económico ou para cortar na despesa. PCP e Bloco de Esquerda acusam Passos Coelho de fazer chantagem com os portugueses quando fala em sacrifícios.Custa-me a entender que a oposição a este governo, que tem aproveitado o Verão para anunciar gravissimas medidas para os cidadãos e para o país, e pouco mais faz que algumas declarações para mostrar a sua discordancia enquanto esperam pelo fim das Férias. O que se está a passar é grave demais para não haver já uma mobilização e acções contra estas políticas e estes politicos. Quando o Passos Coelho pede que se evite o clima de conflito social mostra exactamente qual o único caminho a seguir; o do conflito social. Do PS não espero grande coisa para além de uns discursos de ocasião e uns floreados oposicionistas no Parlamento, mas do BE e do PCP esperava-se que estivessem já na rua e não a apanhar sol em alguma praia do Algarve. Este governo tem de ser travado e já.
Falsificações – 6
A esquerda dócilicada
Ouvir o Bloco de Esquerda, um partido originalmente revolucionário, a defender mais a forma que o conteúdo. Considerado por muitos “o perigo”, quando o Engenheiro transformou a governação socialista em algo que nem a mais profunda direita tinha coragem de confessar deixou de ser o tampão à esquerda, criando a possibilidade de se poder assistir a um partido de extrema-esquerda chegar ao poder. Ver a preocupação dos políticos e comentadores foi engraçado, mas parece que esse medo já desapareceu, não por não haver a mínima possibilidade de o BE chegar ao governo, mas por estar muito mais dócil e ter um discurso cada vez mais semelhante ao dos partidos do regime. É pena.
Um festa estragada
A noite até que não lhe tinha começado mal. As sondagens davam-lhe mais votos, mais deputados, estava à frente do CDS e o PS estava acima dos 38%. Razões para celebrar e cantar vitória. Vitória que tiveram ao duplicar o numero de deputados, sem duvida, mas uma festa estragada porque acabaram por os seus votos somados aos do PS não permitirem uma maioria na Assembleia e assim manter uma possibilidade de negociar com os Sócretinos. Isso e ainda acabaram ultrapassados pelo CDS, esse sim a ocupar a posição e a ter o poder que o bloco pensava ir ter. Uma vitória com um travo amargo esta do BE.
Super Sócrates Vs Flash Louça
Sócrates Vs Louça, um dos mais aguardados debates desta campanha. O Louça é um excelente comunicador e sabe falar à raiva a esta politica que serve o clientelismo dos grandes grupos e dos senhores do capital. O Engenheiro, é um vendedor de banha da cobra, o melhor que cá temos, e a verdade é que sabe vender o seu produto, seja ele “Magalhães” para a Venezuela, ou “verdades” e ilusões aos eleitores. Desta vez o “Super” Sócrates venceu o “Flash” Louça.
Com o Engenheiro em forma deve haver muitos “laranjinhas” que por aí andam apavorados a imaginar como vai a Manelinha, que não tem imagem, oratória ou jeito, safar-se no debate entre os dois.
A prova dos ciclistas
3º BE 10.4 e 5º o PCP (7.8). A mesma sondagem que dá a vitória aos Sócretinos sobre os Ferreira Leiteiros, também mostra que na corrida dos que escolheram ir cada um na sua bicicleta, o BE parece levar vantagem sobre o PCP nesta primeira etapa. Vamos ver se o Louça consegue levar a fuga até à meta ou a vitória e a camisola vermelha será discutida ao sprint. Certo, é se tivessem resolvido correr numa mesma equipa, poderiam até, quem sabe, lutar pela camisola amarela livrando-nos de ver a vitória sorrir sempre aos mesmos, para o nosso descontentamento.
2º debate – Dupont e Dupond
Um dizia alguma coisa e outro logo afirmava, “eu diria mais”. Não foi bem um debate, foi tempo de antena em que cada um expôs as suas ideias e o seu programa. Civilizado, calmo e com um inimigo comum; o governo e o PS. Convergiram em quase tudo e ficou a ideia de que se os interesses dos cidadãos se sobrepusessem aos partidários, poderiam ter promovido a união da esquerda e criado uma verdadeira alternativa de poder que nos evitasse a condenação a mais quatro anos de capitalismo liberal, de compadrio e corrupção. Mas, como disse o Jerónimo de Sousa «Cada um pedala a sua bicicleta». É pena.
Francisco Louça apresentou hoje o programa do BE para as próximas legislativas. Tem ideias boas e outras más, como todos os programas de governo no papel. Infelizmente não é um verdadeiro programa de governo, mas simplesmente um programa de intenções e ideias já que o BE tem tantas possibilidades de ganhar as eleições como eu de ser contratado para jogar futebol no Real Madrid. Infelizmente também o BE escolheu dar primazia aos seus interesses pessoais ao dos portugueses, não nos apresentando uma verdadeira alternativa de poder. Infelizmente também o BE nos condena a mais quatro anos de governos PS e/ou PSD, à perda de mais direitos, ao aumento da precariedade no emprego, da pobreza e de destruição do serviço publico ao não apresentar uma alternativa de unidade de esquerda que nos possibilitasse uma aposta num primeiro ministro que pudesse aglomerar toda a esquerda.
O principal objectivo apresentado pelo Louça é o de não possibilitar uma nova maioria absoluta do PS, (como se ela ainda fosse possível), ficando nós sem entender se o faz porque deseja ser alternativa de viabilização de um governo socretino, ou porque gostava de os ver governar coligados ao CDS e/ou PSD. Estranho também que, numa altura em que o PSD parece ter tantas possibilidades de ser governo como o PS, sejam estes os seus únicos alvos. Pessoalmente eu sei da desgraça que seria para Portugal mais um governo do dito “Engenheiro”, mas temo ainda mais um governo da Manuela Ferreira Leite com um Cavaco por detrás. Será que ter mais um ou dois deputados sentados nas cadeiras da Assembleia da Republica justifica que tenhamos de sofrer mais estes anos de desgraça e de subserviência do neo-liberalismo da União Europeia?