Archive for the 'Democracia' Category



24
Set
13

A oposição e o sistema

jeronimo sousa joaoa semedo catarina martins oposicao

Quase todos os “bonecos” que faço são dedicados ao governo ou então a uma ou outra cavalgadura que mostre o seu desrespeito pela dignidade de quem vive do seu trabalho ou está a ser atirado para a miséria. Mas, de quando em vez parece-me de bom tom também fazer aqui o boneco dos que passam a vida a falar para o boneco, sobretudo do Parlamento para cima, já que ninguém liga muito ao que dizem. Aquilo a que muitos comentadores, todos de direita, gostam de chamar de esquerda mais radical, ou seja aqueles que estão fora do arco do poder. São portanto partidos com assento parlamentar, que funcionam dentro do actual sistema e por isso não o desejam afrontar mas que contestam as politicas seguidas. Gente que fala alto mas bem sempre muito bem comportada.

Para quem como eu defende que o actual sistema politico e esta democracia representativa, velhinha de séculos, necessitam urgentemente de um upgrade acabam por ser mais uma barreira à mudança. São muitas, primeiro a ignorância e o bovinismo deste povo, depois do próprio sistema que está montado para garantir que a democracia de alterne funciona tornando quase impossível que outros que não os tais partido do tal arco e do tal poder lá possam chegar. Dominam todos os poderes, do legislativo ao judicial, do poder da comunicação social ao do grande capital. Temos depois estes tais partidos da oposição que combatem o governo mas travam mudanças mais profundas no sistema. Afinal eles vivem e alimentam-se também dele. Basta ver o movimento sindical para que isso se torne claro. Uma réstia de esperança de mudança ainda nasceu quando começaram a surgir movimentos sociais, infelizmente fracos e pouco participados, mas que, minados por dentro, ao fim de dois anos vemos esboroarem-se e serem absorvidos por estruturas nascidas do próprio sistema e acabando a não pedir uma verdadeira revolução de valores e ideias mas simplesmente uma contestação aos sucessivos governos. Grandes manifestações de seis em seis meses sem continuidade e, sempre no pressuposto de unir todos, sem sumo. Sem uma estratégia a médio prazo, sem apresentar alternativas ao sistema, acabam em simples manifestações de protesto contra esta ou aquela medida ou governo, finda a qual vai cada um para sua casa ver o futebol ou a novela da noite.
Então qual é a solução? Não me perguntem a mim que não sei. Se não há consciência politica nas pessoas, se os partidos da esquerda não o desejam, se a contestação não institucional também não o faz pouco resta. Só vejo a possibilidade de uma estratégia a longo prazo, uma estratégia que, paralelamente à contestação mesmo que só feita como actualmente, passe pela acção local, pela criação de espaços que funcionem fora do sistema e mostrem que ele não é a única alternativa. Espaços abertos, autogeridos e onde a voz de todos e cada um seja escutada e respeitada. Espaços onde as pessoas sejam o fim a alcançar e não simples ferramentas para produzir dinheiro como se ele  fosse o Deus todo poderoso e objectivo último. Troca de serviços, de tempo, solidariedade e cidadania. É lento, mas temos de criar estes exemplos, mostrá-los a outros e incentivar que eles se multipliquem em cada terra, em cada bairro, na consciência de cada um. Ou então, para os mais optimistas, esperar que um dia, perante a injustiça e a miséria, este povo finalmente se levante e imponha a mudança.

08
Set
13

A cornucópia do poder

passos coelho angela merkel mario draghi vitor constancioa cornucopia

O Paulo Portas gosta muito de falar de um país intervencionado e da perda de soberania para justificar as filha-de-putisse, a destruição e a pobreza que espalham pelo país. Tretas, porque nenhum cidadão decente nunca aceitaria conduzir o seu país à miséria. O que se passa é que o aceitam em nome de manterem e aprofundarem um sistema neo-liberal e capitalista que defendem. Portugal pode ter tido e ter a necessidade de pedir ajuda mas isso nunca pode determinar a sua perda de soberania e devem ser sempre os cidadãos  a primeira prioridade de qualquer governante, Não podem governar para os mercados à custa da miséria de um povo. Ai, mas precisamos do dinheiro, dizem como se tal coisa fosse inevitável. O dinheiro é uma ferramenta para ser utilizada e não um fim em si. Não se podem condenar as pessoas a serem escravos em nome de salvaguardar o dinheiro de alguns. Se não há dinheiro utilizam-se outras formas de relação entre as pessoas. E, mesmo sem ser necessário ir tão longe acredito que há no mundo povos dispostos a ajudar e sobretudo a unirem-se em busca de resolver os nossos e os seus problemas em conjunto. Vivemos tempo de mentira em que tentam mostrar o egoísmo e a lei do mais forte como a regra a seguir, mas há outras formas de fazer e de relacionamento possíveis. Temos é de ser capaz de retirar das nossas cabeças as mentiras que usam para limitar as alternativas e impedir novas soluções. Limpar as cabeças e pensar em alternativas em que sejam as pessoas o centro e a razão das politicas. Só isso acabaria com as inevitabilidades, mudaria tudo e tudo seria possível.

07
Set
13

O Lobo Xavier e os porquinhos mealheiros

lobo xavier paulo portas cavaco silva brinde divida

O polvo Lobo Xavier que anda metido em tudo e em todo o lado, aquela coisa parda que aparece no fundo de qualquer cerimónia ou jantar a segredar ao ouvido de alguém, quando confrontado com o atraso civilizacional que esta politica condena Portugal, destruindo a saúde, a educação e até o respeito e dignidade do ser humano veio defender que há dividas prioritárias e que a divida soberana se sobrepõe a tudo e a todas as outras. Morra-se de fome, de doença, não se paguem as pensões, ordenados, não se cumpram acordos, vale tudo desde que paguemos aos usurários, aos mercados e os que com a sua ganância nos condenam à miséria. Claro que ele faz parte de administrações, de concelhos de gerências, representa interesses poderosos e por isso só defende os seus donos, os que o engordam, mas que em nome do vil metal se esteja cagando para o seu povo, o seu país, a existência das pessoas como seres humanos. e triste. Ainda por cima é um ser seboso. Nojo.

30
Ago
13

Lágrimas de crocodilo

passos coelho lagrima de crocodilo

Não, estas lágrimas que o Passos Coelho verte não são pela morte de mais um jovem bombeiro na luta desigual contra o fogo criminoso e a falta de prevenção nas nossas matas e florestas. Estas lágrimas são de crocodilo pelo chumbo do tribunal Constitucional à lei que permitia os despedimentos na função pública. São de crocodilo porque há que dramatizar e usar este chumbo para justificar os maus resultados que inevitavelmente virão à tona quando se fizerem as contas do descalabro destas politicas. São de crocodilo porque servirá de justificação para outras medidas ainda mais gravosas e duras para todos nós.

Já aqui o disse e repito. esta gente que nos governa não presta, não em termos técnicos que para ladrões são bons, mas em termos de dignidade e respeito pelos cidadãos que não sejam ou ricos ou amigos. Esta gente não se importa que a pobreza suba, que cada vez haja mais gente sem dinheiro para comer e que veja a esperança no futuro a desaparecer de dia para dia. Esta gente é má, mesquinha, mentirosa, hipócrita e uma cambada de filhos da puta.

 

16
Ago
13

Uma candidatura de outro mundo

isaltino mprais paulo vistas uma candidatura de outro mundo

Esta gente representa aquilo que mais me enoja na política. E já nem falo dos mercenários municipais que concorrem a Municípios onde não vivem nem daqueles que à força se querem recandidatar a outras câmaras por já terem feito três mandatos na que são presidentes agora. Oeiras consegue ser ainda mais especial. Tem um Presidente preso por falcatruas na própria Câmara que vai ser candidato a Presidente da Assembleia Municipal, (é dos tais que já fez 3 mandatos), e para o seu lugar escolhe o seu número dois que o tem acompanhado em tudo o que foi feito e que aceita ser o seu testa de ferro, (como o Putin fez com o Medvedev na Presidência da Rússia). Na prática mantêm-se o poder, os negócios e os amigos para que tudo fique na mesma. Não se levantam pedras nem se desenterram esqueletos. O poder fica nas mesmas mãos e o negócio continua. Gente como esta conspurca aquilo que deveria ser uma tarefa nobre. Não prestam para nada.
Mas Oeiras tem de tudo, Um Moita Flores que nem devia saber onde fica Oeiras, um Candidato do PS que ninguém conhece e até um ex-presidente de junta, eleito pelo PS, que criou um movimento de cidadãos e que depois atraiçoou concorrendo pelo CDS. Isto para não falar das juntas, que com a sua diminuição estão a criar lutas intestinas dentro dos presidentes eleitos (pelo mesmo movimento) para ver quem fica com o bolo. Aqui vale tudo.

30
Jul
13

Assassinos sociais

passos coelho reforma do estado

 

“Não acredito que a nossa Constituição nos impeça de fazer o que qualquer sociedade desenvolvida faz”, diz o primeiro-ministro. 
 
Antes de mais nada era preciso que esta besta soubesse o que é uma sociedade desenvolvida. Para ele deve ser uma em que o poder financeiro é todo poderoso esquecendo que o que se procura não é criar ricos mas sim servir todo um povo com serviços e bem estar. As sociedades mais desenvolvidas que conhecemos foram a de países como a Suécia, Dinamerca ou Noruega em que os povos viviam com boas condiões de vida,  protecção e serviços sociais dos melhores do mundo e sobretudo com a corrupção a niveis baixissimos. Mas não, para esta cavalgadura é exactamente o acabar com o estado e entregar o dinheiro dos nossos impostos aos seus amigos, favorecendo o amiguismo e o compadrio. Felizmente ainda temos uma constituição que ainda vai impedindo alguns abusos embora o seu guardião, o incompetente do Sr. Silva, não nos ofereça nenhumas garantias. Toda a atenção e sobretudo muita acção são necessárias para travar estes trafulhas e esta gente sem o minimo e consciência social, cultura democrática ou escrupulos. 

 

 

 

 

12
Jul
13

Ai opovo carrasco

assuncao esteves cavaco silva povo carrasco

Não que eu aprecie a prosa ou melhor as ideias do Nicolau Santos, mas ao procurar as afirmações da Assunção Esteves  encontrei este seu texto que serve muito bem para ilustrar o meu boneco.

A presidente da Assembleia da República lida muito mal com contrariedades. Lida pior com desafios ao seu autoritarismo. E não suporta as manifestações de descontentamento popular que, volta e meia, acontecem na hemiciclo de São Bento.
Esta tarde, 11 de Julho, perante um numeroso grupo que nas galerias gritava “demissão!”, Assunção Esteves não se enervou apenas. Fez uma sugestão, uma declaração e uma citação.
A sugestão foi que se repensasse a possibilidade do público deixar de ter acesso à casa da democracia. A declaração foi a de que “não fomos eleitos para sermos amedrontados, desrespeitados”. E a citação foi de Simone de Beauvoir: “Não podemos deixar que os nossos carrascos nos criem maus costumes”.
Beauvoir escreveu esta frase a propósito da opressão nazi sobre os franceses durante a II Guerra Mundial. Equiparar cidadãos portugueses que se manifestavam na casa da democracia a torturadores e carrascos nazis é inadmissível – e é totalmente inaceitável que seja a presidente da Assembleia da República a fazer essa comparação.
O povo português merece seguramente um pedido de desculpas por parte de Assunção Esteves. E quem em democracia tem medo do povo, não merece seguramente ocupar o segundo cargo na hierarquia de um Estado democrático.




Indignados Lisboa
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