Archive for the 'Trabalho' Category

04
Out
12

O roubo continua

Vítor Gaspar admitiu um enorme aumento de impostos e anunciou novas medidas de austeridade. A grande novidade é a sobretaxa de 4% no IRS. As mexidas no IRS não ficam por aqui e o número de escalões vai diminuir dos actuais 8 para apenas 5. Também se mantêm o corte de um subsidio para os trabalhadores da função pública e reformados.

 Já não vamos pagar na TSU mais 7% mas vamos pagar mais que isso em IRS. Não rouba com uma mão, rouba com a outra. A questão está que, se já havia muitos a quem a austeridade estava a atirar para a miséria, muitos outros acabarão inevitavelmente por lá cair. Não se compreende que haja um governo que governe para os números esquecendo os cidadãos e acabe por mostrar sempre números muito piores. Os números do défice, recessão e desemprego são corrigidos para pior de dois em dois meses e servem para justificar mais e mais austeridade. Porra, já chega. Só espero que os portugueses não se calem e corram urgentemente com esta canalha. Se a economia do país não aguente os portugueses muito menos. Já não há guito.
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30
Set
12

A mama não acaba

O Estado português concedeu em 2011 benefícios fiscais de quase mil milhões de euros a 40 empresas, segundo dados publicados pelo Ministério das Finanças.
No total, o Estado concedeu no ano passado benefícios fiscais em sede de IRC a perto de 11 mil empresas (10.834), num total de 1370 milhões de euros, o que representa quase um quinto do défice de 2011. Assim, 0,37% das empresas com benefícios fiscais arrecadaram 972,7 milhões de euros, o que corresponde a 71% do total concedido.
Na lista disponibilizada, destacam-se claramente duas empresas, a Livermore Lda e a Aljardi SGPS, com benefícios fiscais de respectivamente 217 milhões e 160 milhões de euros. Seguem-se a Itasant, a Broadshit Gibraltar e a Malpensa, com benefícios de respectivamente 78,3 milhões, 76,3 milhões e 48,4 milhões de euros. Estas cinco empresas recebiam estes benefícios por terem sede na Zona Franca da Madeira.
A Livermore é uma sociedade unipessoal com actividade na consultoria de serviços, segundo a informação dos directórios on-line de empresas, onde não se identifica o seu proprietário. A Aljardi é uma holding do Grupo Santander com actividade na finança e seguros.
A Itasant é uma gestora de participações sociais também unipessoal, enquanto a Malpensa e a Broadshit Gibraltar são ambas consultoras – a primeira de serviços e a segunda de projectos.
As primeiras 22 empresas da lista de beneficiários de IRC em 2011 têm na sua esmagadora maioria sede na Zona Franca da Madeira, com três excepções: PT Ventures (do grupo PT), Portucel e o Banco BPI, com benefícios de respectivamente 40,2 milhões, 27,7 milhões e 16,3 milhões. Algumas delas deixaram entretanto este centro de negócios.
Nos lugares seguintes surgem algumas grandes empresas nacionais: a Autoeuropa (23ª, com quase oito milhões), a PT (24ª, 7,9 milhões), ou Celbi (26ª, com 7,3 milhões). A Lactogal está em 33º (5,6 milhões) e o BCP em 38º (4,9 milhões).
Os 1370 milhões de euros atribuídos em benefícios fiscais às empresas representam 18,86% do défice de 7262 milhões de euros que o Estado teve no ano passado (4,2% do PIB, segundo foi comunicado a Bruxelas), conseguido apenas com recurso a uma medida extraordinária. [Publico]
Há mais algum comentário a fazer a esta noticia que a própria noticia? Chamar-lhes porcos, mamões, canalhas  alivia mas não resolve. Roubam-nos, tiram-nos tudo o que levamos anos a conquistar, saúde pública, educação, justiça, transportes, reformas, direitos laborais, e sei lá que mais, atiram centenas de milhares para o desemprego e milhões para a precariedade, pobreza e miséria. Aumentam brutalmente os impostos sobre quem trabalha e dão benesses a empresas que nada produzem a não ser especulação. Beneficia-se quem se esconde na zona Franca e a banca com grandes culpas na situação a que chegámos. Uma vergonha a que a indignação começa a ser pouco. Há alternativas e estes números mostram-nas bem. Rua com esta canalha toda já.

29
Set
12

Um País das Maravilhas e de culpados

Vivemos no País das Maravilhas, em que temos todas as culpas da merda que os outros fizeram, que temos de pagar o que os outros roubaram, em que um dia estamos a ser transportados por bons ventos e no outro já naufragamos no temporal dos Mercados. Certo é que mesmo que tudo corra mal, que os números se oponham aos discursos percorremos a rota da inevitabilidade imposta pelos outros, entre luzes ao fim do túnel e a miragem que elas representam. Somos todos os dias vitimas das mentiras e dos enganos, da ganancia de alguns e da voracidade de outros. Ontem eram tantas as noticias que nem consegui escolher uma para fazer o boneco. Da salivação dos banqueiros perante a possibilidade da privatização da CGD, à condenação à morte proposta pela Comissão de Ética e da Vida para quem custe demasiado caro ao Estado em relação à sua esperança de vida, ao aumento do IRS, cortes em subsídios, excepções à austeridade para alguns e o desespero para outros, passando pelo aumento da segurança particular dos Ministros ou à violência policial em Espanha. Estas foram algumas que me lembrei assim de repente de uma lista que não tem fim de malfeitorias e de enganos. Fica tudo melhor dito quando no fim ainda ouvimos o incapaz do Passos Coelho atirar as culpas de um futuro sem esperança para as costas de quem tudo tem suportado. «O primeiro-ministro dramatizou hoje a importância da disponibilidade dos portugueses para prosseguirem o “esforço de ajustamento” da economia portuguesa, afirmando que “se isto vai tudo correr bem ou tudo correr mal” depende muito da vontade colectiva.» Mais dia menos dia ainda vamos ser acusados de que toda a falência a que vamos chegar, bem pior que aquela em que já estamos mergulhados, é nossa e não deles. Puta que os pariu a todos que a culpa só será nossa se não tivermos a coragem de correr com esta escumalha toda de vez e assumirmos o nosso futuro nas nossas mãos.

10
Ago
12

Trabalhar por 50 Centimos à hora

A Becoming Green, uma empresa britânica está a empregar presos a quem paga 3 libras por dia (3,77 euros). E em simultâneo tem despedido funcionários.A empresa de instalação de painéis de energia solar, aderiu a um programa promovido pelas autoridades britânicas que visa a ocupação dos prisioneiros e nos últimos meses integrou dezenas deles nos seus serviços.  A empresa garante que foi autorizada pela prisão a pagar 3 libras aos presos e que o acordo é para um mínimo de 40 dias, mas pode prolongar o «emprego» pelo tempo que quiser, pelo mesmo valor. Confirma ainda que nesse período despediu outros trabalhadores mas defende que isso faz parte «do ambiente normal de um call center».

Isto pode parecer mais um caso isolado de uma empresa oportunista, mas se prestarmos atenção isto só é a consequência das politicas liberais e capitalistas que governam a Europa. Cada vez mais o trabalho é precário, sem direitos e com salários cada vez mais baixos. Esta é a politica em curso agravada pelo ataque ao estado social, (saúde, educação, segurança social) e serviços públicos (transportes, energia e água). Em nome dos mercados e do aumento da riqueza de alguns condenam à miséria muito milhões. Pagar a presos menos de 50 cêntimos por uma hora de trabalho é pior que escravatura pois assim nem casa e alimentação têm de fornecer. Perdeu-se a vergonha e entrámos no mundo do vale tudo.
É por isso que a solução não passa pelos partidos do regime e exige a mobilização dos povos para nas ruas debaterem novas vias, novas soluções e exigirem a mudança. Uma democracia verdadeira, mais participada, mais directa é essencial. É isso que os movimentos dos Indignados e as acampadas andam a dizer há mais de uma ano sempre sobre a mira das policias e da comunicação social do regime dispostos a silenciar esta alternativa. Mas esta apatia que se assiste por parte das populações não pode continuar para sempre a cada vez mais gente compreende que não pode ficar em casa sentada no sofá à espera de um qualquer Dom Sebastião que lhe venha resolver o problema. A solução está em cada um de nós para juntos fazermos a mudança. Não esperem por milagres que o milagre é a capacidade que todos nós temos para pensar, para debater e para decidir. Está tudo nas nossas mãos e na nossa vontade.

30
Jul
12

Caça à Função Pública

Estes escolheram os funcionários Públicos como o inimigo, a fonte de todos os males , a culpa da miséria de todos os outros, promovem a imagem dos maus da fita, dos grandes beneficiados do sistema para que os trabalhadores privados concordem que é sobre esses malandros que devam cair todos os cortes, toda a austeridade, toda a violência. Mas são funcionários públicos os policias que os guardam e evitam que alguém mais desesperado lhes dê uns bons e merecidos tabefes, são funcionários públicos os bombeiros, os médicos, os enfermeiros, os professores, os homens e mulheres que todas as noites nos limpam as ruas. São gente que, como nós, sofrem e muito mais profundamente a violência deste governo, que, como nós, sente os meses cada vez mais cumpridos e os salários mais curtos. São gente com vidas e problemas como todos os outros e por isso a luta de uns em defesa do emprego e da dignidade de uns deve ser assumida por todos. funcionários públicos ou do privado a luta é de todos e não é com atirar com os males de uns para cima dos outros que se trava esta escumalha que todos os dias nos rouba. Quando todos apertamos o cinto e vemos os preços dos combustíveis e da energia subirem a GALP aumenta os seus lucros em mais de 50%. Não pode haver aqui funcionários públicos e privados, há uma luta para travar e o inimigo não é certamente o vizinho do lado.

19
Jun
12

O Rei Silva

O Presidente da República promulgou hoje as alterações ao Código do Trabalho.  No comunicado onde anuncia a decisão, salienta que “na análise realizada não foram identificados indícios claros de inconstitucionalidade que justificassem a intervenção do Tribunal Constitucional ”, acrescentando que “nestes termos, no juízo que formulou sobre a legislação em apreço o Presidente da República teve presente os compromissos assumidos por Portugal junto das instituições internacionais, a necessidade de preservar o consenso alcançado em sede de concertação social e a reduzida oposição que o presente diploma suscitou junto dos partidos com representação parlamentar”. Foi aprovado no Parlamento “com os votos favoráveis dos deputados do PSD e do CDS e com a abstenção do PS, tendo votado contra apenas 15% dos deputados”.

Deste personagem não se esperava outra outra atitude pelo que não se deve estranhar que  a Constituição tenha sido uma vez mais atirada para o lixo. Não foram identificados “indícios claros”, o acordo com a Troika que  passa por cima de tudo, a aldrabice da concertação social e os votos do PSD/CDS são suficientes ao Sr. Silva para não cumprir com o juramento que fez de fazer cumprir a Constituição. (Tudo em nome do emprego como se o facilitar os despedimentos nesta altura alguma vez vá criar novos postos de trabalho). Nada de novo  vindo de quem vem.

04
Maio
12

As insónias do Miguel Relvas

De acordo com dados do Eurostat revelados, esta quarta-feira, Portugal chegou ao final de Março com uma taxa de desemprego de 15,3 por cento, a terceira mais elevada da União Europeia e que representa uma subida de três décimas em relação a Fevereiro. «São números preocupantes. O desemprego tira-nos o sono e é muito motivador para o trabalho que estamos todos os dias a desenvolver», disse Miguel Relvas.

Se ao governo estes números tiram o sono imagine-se o que não fazem a quem está desempregado e àqueles que já se vêm a contribuir para o novo máximo que vai inevitavelmente ser batido em Abril, em Maio, em Junho,…em Dezembro ou em Janeiro.  Mais dia menos dia ainda vão implementar mais uma medida que facilite os despedimentos e a precariedade ou que aumente o número de horas de trabalho em nome ao combate ao desemprego.




Indignados Lisboa
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